<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408</id><updated>2011-10-14T11:40:51.288-03:00</updated><category term='meme'/><category term='crítica'/><category term='terror'/><category term='pensamentos'/><category term='literatura'/><category term='médico'/><category term='adulto'/><category term='Marvel'/><category term='contos inacabados'/><category term='espionagem'/><category term='heróis'/><category term='thriller'/><category term='angústia'/><category term='HQ&apos;s'/><category term='humor'/><title type='text'>Escritor de Meia Pataca</title><subtitle type='html'>Uma folha em branco é o começo de um novo mundo.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>10</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408.post-687841398859096122</id><published>2011-10-14T11:40:00.003-03:00</published><updated>2011-10-14T11:40:51.559-03:00</updated><title type='text'>Mudança de Casa</title><content type='html'>Este blog está deixando este endereço e migrando para um novo lar na Cúpula Blogs! Atualizem o endereço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cupulablogs.com/escritordemeiapataca/"&gt;http://www.cupulablogs.com/escritordemeiapataca/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este endereço ainda será mantido como histórico, mas todos os novos posts estarão por lá! Acessem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7083356798620582408-687841398859096122?l=escritormeiapataca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/687841398859096122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/10/mudanca-de-casa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/687841398859096122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/687841398859096122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/10/mudanca-de-casa.html' title='Mudança de Casa'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408.post-1553264177494504484</id><published>2011-03-24T22:46:00.001-03:00</published><updated>2011-03-24T22:47:16.946-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marvel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HQ&apos;s'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heróis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos inacabados'/><title type='text'>Conto: Reflexões - Parte 003</title><content type='html'>&lt;i&gt;Terceira parte da história. Algumas explicações&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;Entrei em casa finalmente e joguei as chaves do carro na mesa de centro,  sem acender a luz. A chave acabou escorregando e indo parar no chão, de  tanto que eu ainda tremia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desabei no sofá e conferi meu relógio  de pulso. Meia-noite e quarenta e cinco. Num dia normal já era pra eu  estar na cama de velho, mas tava pouco me fudendo pra isso. Certeza que  não ia trabalhar no dia seguinte - o Rei disse que ligaria avisando do  acidente e do assalto. E duvido que ele fosse além disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estava  louco por uma cervejinha, mas não tinha vontade mais de levantar.  Faltava-me forças até pra repassar mentalmente o que aconteceu poucas  horas atrás. Mas também não tinha como tirar aquilo da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo  confessar que não caguei nas calças na hora que vi o Rei daquele jeito  por pura sorte. De alguma forma bizarra, tinha imaginado se uma dessas  merdas de superhumanos não tinha transformado o Rei numa estátua de  ferro. Então ele começou a caminhar em direção aos marginais e meu mundo  desabou outra vez: o Rei é que era uma merda de superhumano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No  momento que ele começou a andar, os nóias - que pareciam ter ficado  caretas como que por milagre - ergueram as armas e descarregaram tudo na  direção do Rei. Tremendo como vara verde, me abaixei, e não vi o que  aconteceu, mas ouvi uma série de pancadas secas, cada um seguida de um  tilintar. Umas das balas deflagradas rolou lentamente até meu cotovelo, a  ponta completamente achatada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns segundos depois, ouvi  passos rápidos. Os bandidos saíram correndo em um desespero insano em  direção a uma viela próxima. Passaram-se alguns segundos de um silêncio  estranho e, em meio à explosão de adrenalina, eles pareceram de alguma  forma reconfortantes. Como se uma vida inteira de paz e tranquilidade  num mundo muito distante passasse em alguns segundos dentro da minha  mente. Muito tempo depois, fui me dar conta que eram as lembranças de  minha própria vida até aquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei se aproximou de mim, cada passo soando como um torno caindo de alguns centímetros de altura no asfalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Mateus, cê tá legal? Se machucou? - disse ele, a voz soando como se  atravessasse um longo cano de metal, mas ainda assim soando com um  genuíno tom de preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caralho, Reinaldo!!! Que porra é  essa?!? Que merda aconteceu? - estava tão nervoso que poderia ter  entrado em combustão espontânea fácil, fácil naquele momento; mas acho  que o peso do ocorrido era tão grande que eu não consegui soltar mais do  isso antes de perder a fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num piscar de olhos o Rei voltou ao normal e emendou, estranhamente calmo - Eu juro que também gostaria de saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso  ouvimos sirenes no começo da rua; uma viatura da polícia que estava na  rua de trás veio averiguar o tiroteio. Minha memória borra um pouco  nesse momento - eu até hoje não sei se foi sorte os policiais não terem  encontrado as balas achatadas no chão ou se o Rei fez alguma outra  bruxaria pra elas sumirem. Tudo o que eu lembro é que o Rei contou da  armadilha e do assalto - mas disse que eles dispararam pro alto e depois  correram. Eu só conseguia concordar com a cabeça até então - os canas  não fizeram muito caso comigo, perceberam meu estado. Mas tivemos que ir  com eles até a delegacia pra fechar o boletim de ocorrência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu carro, apesar de amassado e o para-brisa estilhaçado, ainda funcionava, então acompanhamos a viatura, que seguia devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisti  pra dirigir, à despeito das reclamações do Rei, porque queria ocupar a  cabeça. Tinha vontade de explodir em perguntas para o meu colega, mas as  palavras simplesmente não saiam, e a viagem foi silenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas  horas de chá de cadeira, descrições enfadonhas de fatos agitados e  algumas consultas do policial de plantão ao dicionário, saímos de lá  cada um com um papel timbrado e os nervos em frangalhos. Já mais calmo,  voltei ao volante sem protestos e uma nova viagem quieta. Senti que o  Rei esperava que eu começasse a perguntar, mas ainda não tinha digerido  tudo o bastante pra dirigir e abrir a boca ao mesmo tempo. Mas quando  finalmente cheguei na esquina do prédio do Rei, desliguei o motor e  puxei o freio de mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Reinaldo, há alguma explicação pra essa merda toda? Que diabos aconteceu lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei me olhou profundamente , suspirou e começou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Se você quer dizer um "por quê" disso, eu tô até hoje tentando  encontrar. Tudo o que eu sei é que um dia eu acordei duro feito um pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E  eu não tô exagerando, Veríssimo. Eu acordei no meio de uma noite e não  conseguia mover a porra de um dedo. Nem os olhos eu conseguia abrir.  Tentei gritar e eu só senti cócegas na garganta. Estava me cagando de  medo de estar tendo um troço e então comecei a fazer muita força. Aí a  sensação parou um pouco e eu consegui erguer as pálpebras. Bosta, antes  não tivesse aberto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A merda do meu corpo inteiro era de  madeira. Te juro cara, madeira pura! Eu via os veios da madeira pelos  meus braços, a textura do troço aonde devia tá a minha carne! Tentei me  mexer mais e percebi que conseguia, mas só com um esforço do caralho.  Levantei da cama com uma dificuldade do inferno e caminhei até o  banheiro. Porra, eu ouvia minhas juntas estalando como se fossem móveis  velhos! Aí me olhei no espelho da pia. Até minha cara era madeira! Até  os olhos! Eu tentei gritar de novo e dessa vez saiu um gemido de dar  medo. Eu sei lá quanto tempo eu fiquei olhando pro espelho, tentando  entender o que diabos aconteceu. Eu fiquei tentando me lembrar como era  minha cara antes daquela merda toda e então, puft! Estava lá de volta  meu rosto e meu corpo. Dessa vez eu acordei os vizinhos com o grito. O  cara do apê de cima bateu na porta pra ver o que tinha acontecido, e eu  disse que tinha tido um pesadelo batido o pé na cama. Quase contei tudo e  ia pedir pra me levarem pro hospital, mas me contive. Fiquei lembrando  daquele monte de merda que acontece com os mutantes - especialmente os  boatos apavorantes da época da ditadura militar. Ele insistiu um pouco,  mas então se foi."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Isso podia ter passado por um pesadelo maluco  se eu tivesse conseguido pregar os olhos de novo. Fiquei sentado no  sofá olhando pras minhas mãos, esperando pra ver se elas não iam virar  madeira de novo. Eu não fazia a mais puta ideia do que fazer, não queria  procurar um médico. Não sabia pra quem recorrer. Pensando no tinha  acontecido, me convenci que fosse algum superhumano ou  super-qualquer-merda que tivesse passado por ali e que talvez aquilo não  se repetisse."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E claro que uns dias depois a merda aconteceu de  novo. Eu tava fazendo a barba dessa vez. Em um certo momento eu limpei a  lâmina descartável do barbeador e vi o reflexo da luz. Dessa vez eu  senti algo acontecendo antes. Não sei como descrever o que eu senti, foi  como se eu soluçasse e peidasse ao mesmo tempo, mas pra dentro e com o  corpo inteirinho. E quando olhei de novo no espelho, meu corpo era de  metal, refletindo meu reflexo no espelho. O susto foi grande, mas talvez  por já ter acontecido, eu segurei o grito. Lembrei do que tinha  acontecido da outra vez e tentei me lembrar como eu era antes, e voltei  ao normal. Eu tava controlado agora, mas com um cagaço danado: que quer  que fosse essa porra, não ia passar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu passei alguns dias  treinando esse troço, pra me controlar. Tinha dado uma sorte dos diabos  dessas mudanças só acontecerem enquanto eu estava sozinho. Deus sabe que  pandemônio ia ser se isso tivesse acontecido no trampo ou no meio da  rua. Percebi que eu podia mudar meu corpo pra qualquer material que  olhasse, mesmo de longe. Tentei madeira de novo, metal.. fiz o troço com  o carpete e achei que ia desabar. Nunca tive coragem de tentar com  água. É meio como se eu pudesse refletir o que aquele material fosse,  como se eu fosse um espelho, sei lá. Só sei que eu aprendi a não me  transformar sem querer. E é isso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Peraí, Rei, como assim "e é  isso"?! Cê tá me dizendo que você de repente descobre que pode virar o  Homem de Lata e simplesmente fica de boa? Não faz nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que  cê queria que eu fizesse, porra? Botasse uma daquelas roupinhas de  boiola e saísse por aí espancando ladrão? Eu não sou retardado não,  cara! Eu sei que tem gente bacana que usa essas porras pra melhorar o  mundo e tal, mas vê bem que a maioria desse pessoal só se fode. E, de  boa, nada me tira da cabeça que pelo menos metade dos sujeitos que viram  vilões e se fodem mais ainda eram gente tão comum quanto eu e você. O  cara de escovinha lá nos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;states&lt;/span&gt;  não espalhou pra cima e pra baixo que o Aranha era vilão quando  apareceu? Cê só precisa espirrar fora de hora pra te apedrejarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca  tinha visto o Rei falar tão apaixonadamente de algo. Era um lado dele  que não dava imaginar que existisse. Continuei, assustado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas e  a sua saúde, caralho? E se essa merda tiver virando tuas tripas por  dentro? Você podia procurar ajuda. Tem gente que entende dessas  maluquices. O cara do Quarteto, o Reed Richards, é o primeiro da lista -  e todo mundo sabe que ele é gente boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gente boa talvez, mas  ele tem cara de proctologista frustrado. Vai saber que diabos ele ou  qualquer outro ia fazer comigo. Eu já tenha essa merda faz dez anos,  Veríssimo. Se era pra ter acontecido algo, a essa altura já tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas... Então você não quer ajudar ninguém, nem tirar proveito disso. Que raios você faz com isso? Nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Exatamente, nada. Veríssimo, eu tenho tudo o que eu quero, cara. Tudo  bem que ganhar na Mega-Sena ajudava pra cacete, mas não tenho do que  reclamar. Tenho minha casa, visito meus pais, tenho meu emprego e divido  uma cervejinha com os amigos de vez em quando. Tem muita gente no mundo  que mataria pra ter isso. Eu não pedi por essa porra desse poder, só  aconteceu. Pra mim é como uma verruga, não mexe com minha vida e eu não  mexo com ela. E cara, por favor não espalha isso pra ninguém. É tudo o  que eu te peço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia muito o que falar depois disso. Nos  despedimos e o Rei desceu em silêncio com o semblante de sempre, como se  nada tivesse acontecido. Mas antes dele entrar na portaria do prédio,  eu ainda falei para ele pelo buraco no para-brisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só sei de uma coisa: essa merda dessa verruga me salvou a vida hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7083356798620582408-1553264177494504484?l=escritormeiapataca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/1553264177494504484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/03/conto-reflexoes-parte-003.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/1553264177494504484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/1553264177494504484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/03/conto-reflexoes-parte-003.html' title='Conto: Reflexões - Parte 003'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408.post-1665749711373875655</id><published>2011-03-24T19:26:00.001-03:00</published><updated>2011-03-24T19:31:19.233-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meme'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensamentos'/><title type='text'>Meme da Leitura</title><content type='html'>Recebi da &lt;a href="http://julianices.wordpress.com/"&gt;Juliana&lt;/a&gt; este &lt;a href="http://julianices.wordpress.com/2011/02/22/meme-da-leitura/"&gt;meme&lt;/a&gt; sobre leitura já há um tempinho (perdão pelo atraso!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gosto de memes, eles são uma forma interessante de socialização entre os blogs. Uma vez que o objetivo deste blog é principalmente divulgar meus contos, não caberia colocar um meme aqui, contudo este me pareceu peculiarmente apropriado ao tema. Então vamos começar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Regras do meme:&lt;br /&gt;1 – Deixar o link da pessoa que te indicou o selo;&lt;br /&gt;2 – Responder as perguntas abaixo;&lt;br /&gt;3 – Indicar mais 7 blogs para receber este selo;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quando e como você se tornou um leitor?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde que eu me entendo por gente eu leio. Algumas das minhas lembranças mais antigas são justamente do primeiro ano e o processo de alfabetização (mas antes mesmo eu já sabia alguma coisinha). É curioso como crianças pequenas sempre "enroscam" em frente de lojas de brinquedos ou padarias com doces saborosos, e eu semprei parei na banca de jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época da alfabetização eu morava em um local aonde não haviam muitas crianças, então eu passava longos períodos lendo gibis e livros infantis. E meus tios sempre foram muito entusiastas da leitura, o que significa que eles sempre me emprestavam livros.  Me lembro que eu costumava ler até as apostilas da escola por inteiro logo quando recebia - daí ter sido tão marcado como CDF nessa época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mesmo meu apelido na internet, "The Portal", tem a ver com leitura, mas isso fica para outra ocasião.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lembra do primeiro livro que leu? Qual foi?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tenho certeza que já tinha lido algum livro antes, mas o primeiro livro que eu realmente me lembro de ter lido é "&lt;b&gt;O Cachorrinho Samba&lt;/b&gt;" de Maria José Dupré (lançado em 1949), uma edição já castigada e perdida no tempo que me foi passada por uma das minhas tias. Lembro de ler e reler aquela história com muito gosto. Só de lembrar eu consigo sentir minha infância...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quanto tempo por dia você costuma ler? Quando e onde costuma ler?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ultimamente meus horários de leitura estão meio restritos. Quando tomava condução para o trabalho era fácil gastar os 40 minutos de ida e o mesmo tanto de volta devorando livros. Hoje, como vou trabalhar de carro, só tenho o tempo que leio um pouco antes de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antigamente eu também lia muito no banheiro, mas as maravilhas da tecnologia móvel agora mudaram esse hábito para a escrita nestes momentos!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Leitura do momento:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atualmente estou lendo "&lt;b&gt;Dracula&lt;/b&gt;" no original, em inglês. E dado o meu conhecimento ainda não tão perfeito dessa língua e a escrita um tanto arcaica, devo me demorar nessa leitura mais um tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Indicados: &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa parte realmente é difícil, mas vou indicar o &lt;a href="http://www.schias.blogspot.com/"&gt;Schias&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://madmaxandrade.opsblog.org/"&gt;Andrade&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://www.paranerdia.blogspot.com/"&gt;NerdMaster &lt;/a&gt;e o &lt;a href="http://blogdostunts.wordpress.com/"&gt;Stunts&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7083356798620582408-1665749711373875655?l=escritormeiapataca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://julianices.wordpress.com/2011/02/22/meme-da-leitura/' title='Meme da Leitura'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/1665749711373875655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/03/meme-da-leitura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/1665749711373875655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/1665749711373875655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/03/meme-da-leitura.html' title='Meme da Leitura'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408.post-6751690663493999025</id><published>2011-02-28T18:00:00.001-03:00</published><updated>2011-02-28T18:00:04.369-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='médico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='angústia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='adulto'/><title type='text'>Conto: E Então Comecei a Chorar</title><content type='html'>&lt;i&gt;Essa é uma história menos fantástica e mais emotiva - triste, para falar a verdade. Eu tomei certas liberdades com o processo médico de transplantes para atender a história.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;Foi por acaso que eu ouvi aquela conversa, juro! Aliás, antes nunca tivesse ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha me dado conta que meu queixo estava caído. Já tinha ouvido falar da expressão de ter o chão roubado, mas achava que era um exagero, uma licença poética. Mas a sensação física era idêntica - o frio repentino na barriga, as pernas bambas, o desespero incondicional. Era a mais pura verdade, os poetas não mentiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Não lembro exatamente as palavras do médico. Tudo o que me vem à cabeça é "trauma toráxico", "coronária" e outras palavras soltas, mas de uma opressão sem par. O que eu precisava realmente saber veio em uma única frase:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A única chance de seu irmão é um transplante de coração nas próximas horas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu recebi a notícia como uma declaração implícita de óbito. Quantos meses ou anos alguém espera por um transplante sem ter o que fazer? Quantos já não deixaram este mundo sem nunca ter ouvido o telefone tocar com a ligação salvadora? Que chance Hélio teria em apenas algumas horas? O médico então me explica que casos assim ficam na prioridade da fila de órgãos e são atendidos antes de casos mais crônicos. Esperei um sopro de alívio acalentar-me, mas ele não veio - meu irmão ainda dependia de um doador. Quem poderia esperar que um surgisse exatamente naquele momento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai e mamãe choravam compulsivamente, mas mesmo abraçada com eles as lágrimas não me vinham. Eu estava cheia demais de medo e desespero para deixá-las passar. Era como se estivesse fora do meu corpo, assistindo um filme de minha vida, como se eu compadecesse de sua mocinha, mas não tivesse a capacidade de chorar pela personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após meus pais se acalmarem um pouco, fui buscar algo para bebermos. Estava encolhida no canto do bebedouro enchendo a garrafa de água, feita uma ladra roubando gasolina, e foi aí que ouvi. O médico que sentenciara meu irmão conversava no corredor com um colega, sem se aperceber de minha presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O rapaz do acidente do telhado está realmente muito mal. Nem sei quantas horas ele irá aguentar por um transplante."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pois talvez ele seja o sortudo da noite." - retrucou o companheiro de profissão. "Pois o rapaz do 645, aquele do derrame, lembra-se? Ele está com todos os sintomas de que vai ter morte cerebral - e é doador de órgãos. O Comitê muito provavelmente o escolheria para o procedimento e..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Congelei por um tempo que não faço ideia de quanto seja. Foi como a pequena luz da saída de uma caverna sinistra. Meu irmão poderia viver! Poderia se salvar! Sentia o coração bater mais forte e minhas mãos úmidas. Foi quando percebi que a água se derramava da garrafa entre meus dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechei a tampa com firmeza, descobrindo minha força novamente. Sabia que era errado se agarrar com tanta gana a um filete de esperança, mas era muito mais real e palpável do que tudo o que eu tivera até então. Voltei para aonde meus pais estavam perguntando-me se deveria compartilhar esse grão de esperança. Talvez não fosse prudente; afinal, essa esperança dependia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...da morte de outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia me deixado contagiar tanto pela possibilidade de um transplante que ofusquei em minha mente a inevitável verdade. Não era uma salvação ou uma esperança divina; era um escambo. A vida de meu irmão pela de um desconhecido. Em um primeiro momento, me convenci que não havia nada demais em alimentar esperanças. Vidas iam e vinham todos os dias em todo o mundo; por que não poderia eu sentir algum alívio em saber disso? Pois afinal, se meu irmão não conseguisse, ele também poderia ser a salvação de outrém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entreguei a garrafa d'água à minha mãe e sentei com eles em silêncio. Guardaria o que sabia para mim por agora, pois não sabia como meus pais lidariam com essa informação. Eu mesma ainda não sabia como lidar, já que as palavras do médico ainda ecoavam em meus ouvidos. O "sortudo da noite" que poderia ser meu irmão. Ou sortudo seria o rapaz do 645, que viveria para desfrutar de seu coração? Sentia minha cabeça girar e girar e forcei-me a parar. Não era justo colocar as duas vidas na balança, eu não tinha o direito e o dever! Tinha que continuar rezando pela vida de meu irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei distrair a mente observando à minha volta. A sala de espera branca e limpa tinha algumas cadeiras, um revisteiro e uma televisão em volume baixo. Mas não tinha espírito para ler ou assistir nada. Começei a prestar atenção às poucas pessoas presentes naquela hora tão tarde. Um casal com uma expressão comum - não demonstravam tristeza ou alegria; um senhor de idade com uma expressão despreocupada, prestando atenção ao filme na televisão; uma senhora de meia idade com feições sonolentas, e uma moça com os olhos vermelhos, soluçando. Fiquei tentando imaginar quem eram, como tinha cada um deles ido parar naquele ambiente tão melancólico. Por quem cada um deles velava noite adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um médico se aproximou da sala de espera e toda minha angústia voltou como um relâmpago. Mas um certo alívio e uma pontinha de frustração me vieram ao me dar conta que não era o médico de meu irmão. Ele dirigiu-se à moça de olhos vermelhos duas cadeiras adiante. É singular como a curiosidade humana se manifesta em qualquer momento - pois mesmo em meio ao universo de angústia e pavor, não pude evitar o comichão de saber os motivos da presença dela, quem ela aguardava. Percebi seu olhar tornar-se profundo e seus dedos agitados. Fez menção de levantar mas o médico a deteve com um gesto começou a conversar com ela em voz baixa, mas naquele ambiente calado mesmo o mais singelo sussurro ressoava. E meu estômago deu um pulo novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era ele, o colega do doutor que mencionara o possível doador. Eu jamais esqueceria aquela voz, ou confundiria com qualquer outra neste mundo. A mesma sensação de esperança vaga daquele momento no bebedouro me atingiu novamente. Mas as palavras dele à moça foram de um impacto diferente para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Seu marido ainda não apresentou nenhuma mudança significativa, senhora. Ele não está fora de perigo, o derrame foi muito devastador. Ainda há esperança, mas não vou negar que a senhora deve estar preparada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi a moça murmurar algo, mas já não tinha condição nenhuma de prestar atenção em palavras. Eram só seus olhos que me prenderam a atenção. A íris marrom escura que parecia transbordar de tristeza, o branco avermelhado de seus contornos úmidos, a maquiagem, o brilho da sala refletido em suas lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu sabia que seus olhos eram como os meus naquele momento. Tinha certeza que ela zelava pelo paciente do quarto 645, sua esposa. O homem que compartilhava o mesmo fio de vida que meu irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita coisa se passou na minha mente nos momentos seguintes. O choque de conhecer o poder da vida e da morte. Pois era algo muito diferente de receber um transplante de um desconhecido. Mesmo naqueles bonitos programas de televisão aonde famílias de doadores e transplantados criavam laços não havia algo parecido com essas situação. Não havia minha gratidão, pois não havia certeza da salvação; não havia caridade da parte dela pois ainda havia esperança. Eramos adversárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me envergonho de pensar assim, mas não posso mentir, esse foi o sentimento seguinte: raiva. Tinha raiva dela, algo que não consegui controlar. Pois seu marido detinha o poder de salvar a vida de meu irmão, ou tirá-la. Era um pensamento planejado e irracional. Como podia pensar assim? A vergonha por pensar assim seguiu à raiva, uma vergonha imensa, como seu eu tivesse cometido um crime terrível ao expressar aquela raiva. Eu não tinha o direito àquele sentimento - pois ela sofria tanto como eu. Senti uma imensa pena dela passar por isso, eu sabia como era aquele sentimento. Mas não conseguia abandonar a esperança de salvação de meu irmão. Nem a raiva. Nem a vergonha. Tampouco a compaixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico se retirou e a moça voltou-se na minha direção, percebendo meu olhar. Esta visada direta foi como uma conexão instantânea. Eu quase pude sentir toda a angústia, frustração e medo dela, e tenho certeza que ela se apercebeu dos meus. Ela assentiu levemente com a cabeça e eu repeti o gesto e desviei o olhar. Meu círculo vicioso de sentimentos teve um acréscimo neste momento: inveja. Pois ela não sabia o que verdadeiramente ocorria, era alheia ao dilema moral que consumia minha alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude e nunca poderei precisar o tempo que se passou. Talvez tenha sido meia hora, talvez a madrugada inteira. Mas para mim foi como uma eternidade de sofrimento. Era como a pena de um crime, e talvez o tenha sido: o crime de saber o que não devia. Havia quebrado involuntariamente as regras que permeiam todo o processo de um transplante - mas voluntário ou não, a punição contra minha alma era rígida e implacável. Racionalmente pensando, o fato de eu não ter controle sobre o resultado deveria amenizar um pouco meu dilema. Mas a verdade era o oposto; o fato de eu não poder fazer nada só piorava. Pois eu tinha o conhecimento e nada para fazer com ele. E mesmo que por um milagre eu pudesse, o que faria? Salvaria meu irmão? Não seria justo com o homem do 645 ou sua esposa. Ele tinha tanto direito de viver quanto ele. Mas e meu irmão? Salvaria um estranho e permitiria que alguém que me era caro se fosse? Não conseguia nem mesmo mais rezar pela salvação de meu amado irmão. Pois sentia que era o mesmo que torcer pela morte daquele homem e o sofrimento indescritível de sua amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu me prendi a esse ciclo como um homem se agarra à própria vida. Estranhamente, eu desejava que ele não acabasse, pois o final não haveria de ser feliz. Eu estava ligada demais àquelas duas vidas para permitir que qualquer uma delas terminasse. Por mim, aquela noite duraria até o fim dos tempos, mantendo a luz de vida e esperança acesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas toda a luz um dia se apaga, toda noite se segue de um dia e aquela tinha que acabar. Eu juro pelo que há de mais sagrado que eu ouvi os passos do médico, como o cavalgar do Quarto Cavaleiro do Apocalipse. Algo dentro de mim que estivera enjaulado até então forçou passagem. Vi no fim do corredor a figura alta de branco se aproximando com o andar pesado com as notícias que carregava. Não conseguia identificar qual dos médicos se aproximava, o de meu irmão ou o do outro homem - pois meu olhos estavam cheios e pesados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, reconheci qual era o médico. E então comecei a chorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7083356798620582408-6751690663493999025?l=escritormeiapataca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/6751690663493999025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/02/conto-e-entao-comecei-chorar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/6751690663493999025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/6751690663493999025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/02/conto-e-entao-comecei-chorar.html' title='Conto: E Então Comecei a Chorar'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408.post-4350208549997870339</id><published>2011-02-06T00:07:00.000-02:00</published><updated>2011-02-06T00:07:24.795-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terror'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='angústia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='adulto'/><title type='text'>Conto: A Cova</title><content type='html'>&lt;i&gt;Esse conto também é mais antigo (daí também eu achar ele mais "cru" que os mais recentes), eu escrevi para uma antiga lista de  discussão sobre literatura aonde trocávamos nossas criações. Esse é um  pouco mais o meu nicho, o terror - embora ele tende mais para o lado  de angústia do que de "sustos".&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;Jovens pés desnudos tocavam o solo úmido e escuro como seda roçando em  um antigo tapete. A longa túnica branca arrastava-se lentamente por  entre pedras e galhos podres. A lua minguante emprestava seu brilho  tosco aos olhos dela, olhos azuis como dois brilhantes diamantes em uma  caverna escura. Seu alvo rosto infantil, entrecoberto pelos louros  cabelos cacheados, estampava uma sinistra paz enquanto as lápides de  mármore branco ficavam para trás. Apenas o alto da colina e sua árvore  seca ainda preenchiam sua visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual é o problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaine ergueu os olhos na direção da pergunta, exibindo as olheiras e o rosto cansado para a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada Lilian, eu só não dormi bem esta noite. Os contratos estão prontos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem  tirar os olhos da amiga, ela abriu a pasta que carregava e tirou um  calhamaço de papéis, enquanto respondia – Aqui estão, todos em ordem.  Elaine, se você não está bem, vá para casa, pro médico ou coisa que o  valha. Aliás, você já não está com férias vencidas? Deveria descansar,  não parece muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou bem, foi só uma noite de  pesadelos. Isso acontece com todo mundo alguma vez, não? – a jovem  guardava os contratos em sua gaveta e arrumava os longos cabelos loiros –  Eu preciso apenas tomar um copo de leite morno antes de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rosto moreno de Lilian não perdeu o tom preocupado, mesmo enquanto esta se afastava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Bem, se você diz. À propósito, o Eduardo pediu para você dar uma  ligadinha no ramal dele. Qualquer coisa sobre o convênio – piscou  maliciosamente e sorriu de leve, enquanto deixava sua baia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaine  sorriu bufando enquanto tirava o fone do gancho e discava sem olhar  para a lista de ramais. Uma voz masculina em tom apressado atendeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desenvolvimento dois, Eduardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou eu, Eduardo, a Elaine do RH.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ola, Nani! Tudo bem? – a voz indicava claramente o sorriso do interlocutor – A Lilian passou o recado, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, passou. Sua renovação do convênio médico está pronta, eu te mando via office-boy interno, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Obrigado, Elaine. Mas eu espero não precisar dela tão cedo – ambos  riram – Mudando de assunto, você vai conosco jogar boliche sexta à  noite, não vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, bem... – a jovem folheou uma agenda de capa  preta sobre a mesa – desculpe, Edu, mas não vai dar. Eu prometi levar  minha sobrinha ao cinema nesta sexta. Fica pra uma próxima...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Tudo bem, a gente marca com a galera outra hora – o tom era levemente  menos animado. – Bem, obrigado pela ajuda, eu preciso desligar agora. A  gente se vê no refeitório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tchau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaine recolocou o fone no aparelho enquanto contemplava com expressão indecifrável as linhas vazias na página branca da agenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relâmpagos  distantes iluminavam o céu enegrecido, gerando um macabro jogo de luz e  sombra contra as pesadas nuvens negras que já tomavam metade da abóboda  celeste. A lua minguante já havia mergulhado por completo na tempestade  que se avizinhava. O sibilo do vento tornava-se maior, como uma canção  infernal que lhe machucava os ouvidos. A árvore seca ainda estava longe,  no alto da colina escura, enquanto a criança caminhava em sua direção.  Seu semblante era duro e frio como o mármore das lápides que passavam.  Uma lágrima rolou por sua face, indo regar o solo úmido que deixava para  trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  suor frio e a respiração ofegante eram as únicas sensações que passavam  pelo corpo de Elaine antes que ela se desse conta do lençol de linho  branco, o travesseiro, a cômoda que aninhava um despertador na forma de  um ursinho e as cortinas rendadas que deixavam as luzes de umas poucas  estrelas iluminarem seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se. O leite em seu  estômago ainda pesava, e ela caminhou até a cozinha. Tomou dois copos de  água. Na volta, deteve-se diante dos porta-retratos sobre a prateleira  do corredor. Olhos brilhantes ardiam em súplica diante da maior das  fotos. Virou-se lentamente de volta ao seu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Elaine, espere um pouco, eu preciso falar com você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os  longos cabelos lisos da moça pareciam dançar com o vento quando esta se  deteve no estacionamento. Lilian aproximou-se enquanto terminava de  vestir seu casaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É verdade que você disse ao Edu que não poderia sair conosco sexta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, sim. Eu prometi à Aline que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aline está viajando a Porto Alegre. Ou esqueceu que sou sua amiga do peito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lilian, eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Você nada, menina! Você vai é ouvir, agora! Poxa, o Edu tá dando a  maior bola para você e você nada? Ele é um gato, com pedigree e tudo!  Eu, pessoalmente, daria qualquer coisa por alguém como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaine semicerrou um olho numa expressão maliciosa – Qualquer coisa? – Lilian sorriu amarelo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Tá bom, quase qualquer coisa! Mas essa ainda não é a questão. Você está  jogando uma chance de ouro no lixo. O que está havendo, Elaine? Anda  tão distante nos últimos tempos... não é, por acaso, por...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lilian, você está de ônibus hoje, não? Não quer ir comigo visitar Jasmim, e depois eu te deixo em casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lilian suspirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nani, você não pode continuar sofrendo. Eu sei o quanto foi duro para você, mas ficar assim não vai ajudar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Lilian, vai vir comigo? - Elaine abrira a porta de seu carro, sem  parecer dar atenção à amiga. Lilian assentiu em silêncio e entrou no  carro. E esse silêncio perdurou todo o trajeto, sem que ao menos uma das  duas tomasse qualquer iniciativa, sequer ligar o rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Corsa  cinza estacionou em uma vaga em frente ao longo e maltratado muro branco  do cemitério. Enquanto Elaine terminou de trancar o carro e ligar o  alarme, Lilian caminhou até uma das barracas junto à entrada. Quanto foi  alcançada pela amiga, exibiu-lhe uma única rosa branca envolta em papel  decorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que são suas favoritas – sorriu Lilian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eram as favoritas de Jasmim, também – sorriu em troca. Caminharam cemitério adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detiveram-se em um túmulo logo na primeira quadra. Como em um ritual, Elaine murmurou o epitáfio na lápide de mármore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- “Jasmim do Campo Limeira, 1987, 1999, filha querida e irmã amada. Descanse em paz, com os anjos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lilian  esboçou uma reação, mas desistiu. Permaneceram longos minutos em  silêncio, até que Elaine depositasse delicadamente a rosa junto à  lápide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um frio percorreu sua espinha ao olhar de relance ao  fundo e deparar-se, ao longe, com uma colina familiar, atrás dos jazigos  mais distantes, e uma grande árvore seca em seu topo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah... nada. Vamos embora daqui, eu não estou muito legal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os  lábios rosados mal se mexiam, apenas se separando durante breves  segundos para que a menina respirasse melhor com o esforço. Seus olhos  azuis pareciam faiscar a cada relâmpago, mas o brilho em seu olhar  pertencia ao alto da colina. O estrondo ensurdecedor de cada trovão  tomava o papel principal na funesta canção dos sibilos do vento. Os  primeiros respingos da tormenta escorriam por seu rosto, seus cabelos e  sua túnica. A claridade de cada relâmpago exaltava os contornos da  grande árvore seca e lhe mostravam uma forma menor mais adiante, outrora  oculta pela colina. A criança finalmente alcançara o topo, o vento  sibilando mais forte, os relâmpagos mais rudes e os trovões  insuportáveis. E ela finalmente vislumbrou a outra forma junto à árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma cova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaine  observava atentamente o fundo do copo, os resquícios de leite junto aos  cantos. Lentamente levantou-se, deixando o copo vazio sobre a mesa, e  caminhou de volta ao quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho, deteve-se diante da  grande foto de Jasmim na prateleira. O sorriso da doce criança infligia  ternura e sofrimento no coração de Elaine. Deu às costas e retornou a  lenta marcha pelo corredor. A garotinha lhe fitava com suplicantes olhos  azuis, parada diante da porta de seu quarto, a longa túnica branca  esvoaçando ao vento leve do ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grito seco, baixo e  esganiçado subiu-lhe garganta acima. Abriu os braços, recuando,  esbarrando nos objetos do corredor. Ofegava. Sentiu o coração disparar e  subitamente parar durante um segundo. E tudo acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão  revelou-se nada mais que um lençol branco preso à maçaneta da porta,  balançado levemente pelo vento que provinha de seu quarto. Seu coração  começava a bater mais devagar, quase normalmente, e o ofegar novamente  tornou-se um respirar, ainda que carregado de uma emoção indefinível.  Elaine finalmente voltou a seu quarto e adormeceu, com uma lágrima  escorrendo lentamente de seus olhos para pousar lentamente em seu  travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Elaine, você está quase duas horas atrasada!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, senhora Moreira, eu tive alguns problemas com meu despertador. Eu vou compensar hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos vívidos, porém lúcidos da outra deixaram de lado o tom autoritário a favor de uma postura mais atenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Não estou preocupada com as horas que você trabalhou, e sim com você  mesma. Você tem andado abatida demais nos últimos dias, e Lilian me  disse que você anda dormindo mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou bem, só um pouco cansada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Não, você não está bem, isso está estampado em seu rosto. Qual o seu  problema, Elaine? É sua irmã, não é? – a outra virou a face – Oh,  desculpe querida. Eu sei o quanto isso é doloroso, já passei por isso  antes e certamente passarei de novo – colocou a mão em seu ombro – e sei  que guardar isso para si mesma não vai ajudar em nada. Você precisa se  abrir com alguém, menina. Se quiser, eu posso te marcar um horário com a  psicóloga da empresa. Ou, melhor ainda, você poderia tirar suas férias,  que já estão em tempo – Elaine fez uma cara de desaprovação – Ora,  mocinha, não me venha com essa! Você precisa disso, e nós já estamos  quase na ilegalidade por sua causa, sabia? – sorriu gentil. Elaine não  conseguiu conter um sorriso em troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... vou pensar no assunto, senhora Moreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E vai pensar em casa. Você está muito cansada, eu te libero por hoje, você tem muitas horas extras não-pagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhora, com uma supervisora como você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Não, pense que estou amolecendo – interrompeu-a com um sorriso – A  chibata está guardada para suas amigas – ambas riram amigavelmente. A  supervisora se despediu e sumiu empresa adentro. Antes que Elaine  terminasse de arrumar sua mesa, a figura curiosa de Lilian se aproximou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lilian, você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não diga uma palavra, foi para seu próprio bem. Vá para casa e descanse. Reconsiderou sobre hoje à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... acho que vou ficar em casa mesmo. Eu te ligo amanhã. – a outra suspirou enquanto se afastava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Está bem, se você prefere assim... – ia embora quando, numa resolução  súbita voltou para perto da amiga e falou-lhe em tom quase de súplica. –  Elaine, pelo amor de Deus, reaja!! Você está se afastando de todo  mundo! O Edu está quase entregando os pontos de tanto tentar sair com  você! A sua mãe ligou para MIM, preocupada porque você não retorna as  ligações dela. Você.... – baixou subitamente o tom de voz, como em  desistência - ... costumava me contar seus problemas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaine  permaneceu calada, fitando tristemente a amiga. Eternos segundos se  passaram, até que Lilian suspirou e foi se afastando novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te ligo amanhã, amiga – sua voz estava carregada de emoção, quase um choro – e, por favor, reaja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi-se embora. A outra terminou de juntar seus pertences e voltou para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal  entrara no apartamento e foi direto para a secretária eletrônica. Havia  vários dias que não fazia isso e constatou doze mensagens. Todas de sua  mãe. Chegou a erguer o fone do gancho e discar alguns números, mas  desistiu antes de terminar. Sentia-se cansada. Foi até seu quarto e  deitou sobre a grande cama de casal, sem ao menos despir-se. Uma série  de imagens e sons dos últimos dias, meses e anos pareciam dançar em sua  mente. Sua amiga Lilian. A grande foto sobre a prateleira. O estridente  ruído de uma freada brusca. Rosas brancas. Um sorriso. Um choro baixo. A  colina. Orações. Uma lápide de mármore branco. Um lençol branco. Uma  árvore seca. Doces olhos azuis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  chuva não incomodava a menina, ainda parada na mesma posição. A luz de  um relâmpago ocasional projetava a sombra da árvore seca contra o outro  lado da colina, iluminando um grande descampado com apenas mais dois  túmulos visíveis à distância. Mas a atenção dela era toda voltada para a  lápide mais próxima, da qual lentamente começara a se aproximar. Uma  grossa crosta de lama seca cobria o epitáfio, impedindo-a de lê-lo.  Prostrou-se junto à peça de mármore, a lama sujando-lhe a túnica e  umedecendo-lhe os joelhos. Os cabelos louros cacheados pingavam sobre o  tecido branco. Gotas d’água misturavam-se a lágrimas em sua face. E os  aquosos olhos azuis percorriam as letras, uma à uma, enquanto seus dedos  pequenos e finos ajudavam a chuva a lavar a lama das letras de mármore.  Pesarosamente murmurou a inscrição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Elaine do Campo Limeira”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grito ecoou na noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- STRIKE!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge voltou triunfante da boca da pista enquanto era cumprimentado pelos outros. Virou-se para Eduardo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua vez, Edu. Mas eu duvido que me alcance. Você tá meio fraco hoje, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  É, eu tô meio desanimado – disse Edu, indo em direção à pista. Mirava a  bola quando a porta de vidro do salão foi violentamente batida, quase  quebrada. Elaine corria em prantoroso desespero em direção à Eduardo e  Lilian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nani, o que aconteceu? – Edu deixou a bola no chão e abraçou carinhosamente a jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amiga, o que houve? – Lilian amparava a amiga, tomando-lhe a mão. Elaine soluçava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu, eu... estava morta!! – soluçou – Minha irmã estava lá e... oh, meu Deus!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acalme-se, Nani...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Edu, eu... – sentou-se, acalmou-se um pouco – Até este momento, eu  estava morta. Eu amava-a tanto, quase como uma filha. E continuei  querendo que ela vivesse por mim, e deixei eu mesma morrer. Era eu  naquela lápide, não ela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acalme-se, amiga, agora está tudo bem. Vamos Edu, me ajude a levá-la para casa. Lá você pode nos contar melhor tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os  dois ajudaram-na a andar até o estacionamento enquanto os outros os  observavam, juntamente com algumas outras pessoas que estavam no  boliche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bola deslizara lentamente pela canaleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  ensolarada manhã de domingo lançava uma luz clara contra a lápide de  Jasmim enquanto três rosas brancas eram depositadas junto a ela. Elaine  chorava, mas tinha um sorriso em sua face. Juntou os dedos aos lábios e  mandou um leve beijo em direção daquela morada final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo a  abraçou carinhosamente e sorriu, beijando-a logo em seguida. Lilian  aproximou-se de ambos, sorrindo gentilmente. Os três saíram juntos do  cemitério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto levava os dois amigos para suas casas, ela  jurou para si mesma que iria viver cada dia, minuto e segundo  intensamente, e que faria assim por Jasmim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu uma última  olhadela no cemitério enquanto passavam ao seu lado. Por cima do muro,  notou a colina que vira anteriormente, no enterro de Jasmim, e a árvore  seca em seu topo. Curiosamente, não havia nenhum túmulo próximo à  árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compreensão veio súbita, seguida da ensurdecedora buzina do caminhão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7083356798620582408-4350208549997870339?l=escritormeiapataca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/4350208549997870339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/02/conto-cova.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/4350208549997870339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/4350208549997870339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/02/conto-cova.html' title='Conto: A Cova'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408.post-2485698109291917536</id><published>2011-02-03T18:11:00.002-02:00</published><updated>2011-02-04T11:41:59.353-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marvel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HQ&apos;s'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heróis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos inacabados'/><title type='text'>Conto: Reflexões - Parte 002</title><content type='html'>&lt;i&gt;Segunda parte da história. Agora sim as coisas começam a ficar interessantes.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;E tudo começou tão inocente como poderia ser, obviamente numa  quinta-feira. Além da galera de sempre, o Abreu do Comercial e a Janete,  a nossa secretária (que era quase um "mano" da turma, sem frescura  nenhuma), bebiam com a gente já havia uns quarenta minutos. Às seis em  ponto, feito Ave Maria, chega o Batoré esbaforido e suado, entregando o  carro pro manobrista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Podem segurar os sete gatinhos, que o Seu  Noronha chegou. - exclamou o Carlão, não só pra nós, mas pra todo mundo  dentro do Santa Distinta. Batoré emendou enquanto se sentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Pois eu quero saber quem desenhou "querelinhos" voadores na parede do  banheiro! - seguiu-se um riso coletivo quando o Rei, que nem tinha  aberto a boca até agora, apontou pra televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois olha lá o maior de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos se viraram pra ver a tela e a gargalhada foi geral quando vimos que era uma reportagem sobre o Arara Azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter  habilidades especiais e poderes podia não ser pra todo mundo, mas  sempre me pareceu mais comum do que seria saudável. Cair num tanque de  gororoba radioativa, encontrar alguma roupa alienígena maluca ou  simplesmente nascer mutante - opções não faltavam. Mas sabe lá Deus o  que leva um fulano a vestir uma roupa colante colorida e sair pelas  ruas, seja pra roubar ou pra pegar ladrão. O caso é que os gringos  adoravam essa ideia; Homem-Aranha, Capitão América, X-Men... depois eles  vêem acusar a gente de ser o país do Carnaval. Isso era o tipo de coisa  que não pega no Brasil. É claro que existem super-humanos por aqui.  Todo mundo sabe que mais de um adolescente fugiu de casa depois de virar  o cachorro da família pelo avesso, ou que alguns traficantes colocam  gente com poderes pra combater a polícia. Mas desfilar com uma roupa  berrante pra cima e pra baixo quase não era visto. Com a honrosa exceção  do Arara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arara Azul. Identidade verdadeira; obviamente  desconhecida - até ele tinha bom-senso e vergonha na cara suficiente pra  ficar na surdina. Mas deixando as piadas de lado, ele provavelmente não  teve lá muita opção quanto ao seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;modus operandi&lt;/span&gt;.  É muito difícil ocultar uma aura em centenas de tons azuis brilhantes  de uns três metros de raio, especialmente voando pelos céus. Os  especialistas que cansaram de dar entrevistas pra trocentos programas,  jornais e revistas tinham como seu melhor palpite que o poder dele era  um "campo de força biológico de alta potência e extremo controle". Na  boca do povo ele simplesmente parecia um tremendo destaque de escola de  samba - exceto que este destaque voava e tinha "tentáculos" de luz  capazes de jogar um caminhão longe. Como mal se via o contorno de seu  corpo em meio aquela mistureba de luzes, ninguém sequer tinha certeza se  ele era jovem, velho, alto, baixo, ou mesmo uma mulher - embora sua voz  soava masculina quando ele se dirigia à alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas apesar da  tiração de sarro geral, muito pouca gente desgostava do Arara.  Oficialmente ele era um fora da lei (vigilantismo nunca foi legalizado  no Brasil), mas nenhum policial faria qualquer esforço para detê-lo. Seu  comportamento sempre fez juz à alcunha de herói, desde evitar um  pequeno assalto até conter uma grande enchente salvando centenas de  vidas. E tudo isso sem nunca - ao menos publicamente - ter chegado a  menos de quinze metros próximo do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pra tirar sarro e dar risada no bar, todo mundo sabe que vale qualquer negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Porra, o Rei fisgou certo de novo - falou o Carlão depois que todos  desviaram a atenção da televisão. - Já pensou aquela garotinha virgem,  em sua noite de nupcias, abrindo a braguilha e encontrando uma aberração  azul dessas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é - continuou Batoré, como se fosse um  jogral - daí ela liga pra mãe e pergunta 'Nossa mãe, o troço é assim tão  esquisito?' e a mãe diz 'Esquisito como minha filha?' e a filha  responde 'Eu baixei o ziper e esse voou de verdade'!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mais algumas risadas, o Abreu emendou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falando sério galera, o cara tem uma tremenda boa intenção, mas não dá uma vergonha desse bibelô de elefante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Rapaz, eu tenho mais vergonha é dos políticos lá em Brasília. -  respondeu o Laurindo bebericando uma cachaça artesanal. - Quem vai falar  qualquer coisa dele? Os gringos é que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu, os caras devem  enrolar até pra falar "Arara Azul" em português. - emendou o Carlão  filando uma azeitona do aperetivo. - Ou traduziram o nome do  pobre-diabo. Fala aí, Veríssimo? Como é que os caras chamam o  "querelhinho" azul lá nos "states"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até aonde eu sei - respondi  puxando de memória - os jornais de lá, quando falam alguma coisa,  chamam ele de "Blue Bird". Cara, uma tradução típica do Patrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  Batoré e o Frescalhão riram. As traduções dos nomes de vigilantes  mascarados americanos feitas pelo jornalismo do SBT eram a piada  recorrente no país inteiro. Coisas como chamar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Daredevil&lt;/span&gt;  de Demolidor só pra manter o duplo "D" do uniforme do cara eram  hilárias. Eu lembro que por diversas vezes a Globo e outras redes  tentavam emplacar suas próprias traduções, mas entre o povão só marcava o  que a rede do Patrão veiculava. Reza a lenda que várias dessas  traduções esquisitas eram ordenadas pelo Silvio em pessoa - e eu não  duvido, não. O cara, de alguma forma, sabe o que faz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ôôô,  Veríssimo, mas não teve uma heroína de lá que chamava Bluebird? -  perguntou o Frescalhão - Acho que andava com o Aranha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei  lá, cara! Desde quando eu sou especialista em gringos baitolas  fantasiados? Eu só calho de ler os jornais na net e bater o olho nessa  papagaiada, cara. - retruquei dando uma pancada no ombro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Ah, cara - disse o Carlão - você é o único por aqui que lembra o nome de  mais de três presidentes; é tua obrigação saber essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Ah, tá bom. Cara, saber quem foi o fulano que governou teu país e botou  na sua bunda por quatro anos é uma questão de experiência. Ou você quer  botar outro Collor lá no Planalto? - fiz uma pausa pra bebericar a  cerveja.- Agora vou lá eu me interessar em um fulano com a cueca pra  fora da calça desfilando por aí? Se fosse eu com poderes, talvez até me  interessasse em saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, se boa? - interviu o Rei pela  segunda vez na noite - Melhor coisa que você faz é realmente isso: tocar  a vida. Aposto que a maior parte desses babacas queria era não ter dor  de cabeça e tomar uma cervejinha com os amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, é que eu  não nasci com essa porra, ô Rei! - disse o Carlão em tom sonhador. -  Senão vocês iam ver. Já viu a quantidade de gata que o tal do Tocha  Humana cata? E sem segredinho, sem boiolagem, só no luxo e no estilo. E  ainda sobra um tempinho pra salvar o mundo. Fala  aí Janete, imagina eu  de Tocha Humana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Certeza que eu dava pra você! - completou a  secretária em brincadeira, mas um discreto brilho no olhar enquanto a  galera ria e uivava. Eu já imaginava que a cabeça da esposa do Carlão ia  pesar de novo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o papo seguiu nesse tom noite adentro. Eram  quase nove e meia quando o Batoré decidiu voltar pra casa deixando o Rei  e eu pra fechar a mesa. O resto da galera já tinha ido embora aos  poucos - o filho da puta do Carlão deu carona pra secretária, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como  o Rei costumava ir de ônibus e morava no meu caminho de casa, era comum  que ele voltasse de carona comigo. Ele ficava um pouco mais a vontade  para conversar nessa hora - não sei se ele ia mais com a minha cara, ou  se simplesmente ficava envergonhado de pegar carona e não abrir o bico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me  lembro que discutiamos algo sobre séries de televisão, uma afinidade  mútua. O trânsito pra São Bernardo estava uma merda ainda pior do que a  habitual, então eu estava cortando por um bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ôô, Veríssimo, vai pela Pereira Barreto mesmo, cara. Sem pressa de chegar em casa. - disse o Rei meio apreensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Relaxa, Rei, já cortei caminho por aqui mais de uma vez. O bairro  parece suspeito, mas é de boa. Mas voltando, cara, você realmente curtiu  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;E.R.&lt;/span&gt;? Mesmo depois que saiu todo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cast&lt;/span&gt; original e virou aquela lambança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, era divertido! Quase como se fosse "novela de homem", saca? E você não se lembra de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Grey's Anatomy&lt;/span&gt; nessas horas, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, mas você tem que entender que... PUTAQUEOPARIU!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me  lembro muito pouco dos detalhes dos segundos seguintes, exceto que eles  pareceram dias. Só lembro do paralelepípedo no meio da rua, a freada e  vidro quebrado. Demorou alguns dias pra, junto com as memórias do Rei,  entender que, ao desviar o carro daquela merda no meio da rua, o carro  inclinou nas duas rodas do lado e quase tombou, mas foi salvo disso ao  bater a lateral em um poste, estourando o pára-vidro no processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal tinha me dado conta que nenhum de nós tinha me machucado quando ouvi a gritaria fora do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desce, filho da puta!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sai do carro logo! Sai! Sai! Os dois, no chão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram  dois bandidos armados. Não consegui memorizar suas feições, mas mesmo  no escuro era possível ver o jeito nervoso, inseguro, e os olhos  extremamente vermelhos. Nóias. Cheirados de tudo. Tremi de medo, porque  minha vida de repente não valia porra nenhuma, nem se entregasse tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci  do carro devagar com as mãos na cabeça. Vi com o canto de olho que o  Rei fazia o mesmo, mas não tinha coragem de me virar pra ver. Os dois  filhos da puta não paravam de gritar, mais balbuciando do que falando.  Tudo o que eu entedia ali era "grana" e "tudo". Levei a mão à carteira o  mais calmamente que pude, os dedos trêmulos e suados escorregando. Eles  gritavam cada vez mais alto, então estaquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando ouvi o clique e o disparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou-se  um tempo muito longo - provavelmente uns três segundos - quando me dei  conta que estava vivo. A gritaria tinha parado, os dois nóias estavam  parados com os olhos arregalados, as armas abaixadas - mas ainda nas  mãos, que estavam mais trêmulas que as minhas. Olhavam para onde estava o  Rei, então finalmente tomei coragem e virei o pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei estava em pé, parado. E sua pele reluzia como metal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7083356798620582408-2485698109291917536?l=escritormeiapataca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/2485698109291917536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/02/conto-reflexoes-parte-002.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/2485698109291917536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/2485698109291917536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/02/conto-reflexoes-parte-002.html' title='Conto: Reflexões - Parte 002'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408.post-6085004389024187160</id><published>2011-02-02T13:08:00.001-02:00</published><updated>2011-02-02T13:43:09.811-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HQ&apos;s'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heróis'/><title type='text'>Conto: O Azul e O Vermelho</title><content type='html'>&lt;i&gt;Tive a ideia dessa maluquice conversando com um vizinho coisa de vinte  anos atrás (sim, vinte anos de verdade, foi lá em 1990) e fui botar em  prática mesmo alguns anos atrás. Prometi ao &lt;a href="http://www.twitter.com/schias"&gt;Schias &lt;/a&gt;e ao &lt;a href="http://www.twitter.com/madmaxandrade"&gt;Andrade &lt;/a&gt;(da &lt;a href="http://www.dimensaonerd.com/"&gt;Kombo Podcasts&lt;/a&gt;, da qual faço parte) tentar  converter isso em podcast, e o farei em breve, mas como já tinha  divulgado antes internet afora, não vejo mal algum em colocar por aqui.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Estou colocando também o link para a versão Google Docs do conto, com a formatação original planejada - incluindo algumas piadas visuais e comentários. Mas tentei fazer o melhor possível com o lay-out do próprio blog (as notas de rodapé originais podem ser lidas passando com o cursor sobre os símbolos &lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUlvvhZQguI/AAAAAAAACb0/B_0zM72FCTQ/s1600/hash.png" title="Este é um exemplo das notas no meio do texto." /&gt; no meio do texto). &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Não tenho ainda muita experiência em escrever humor, mas foi uma tentativa. Fica como singela homenagem a dois super-heróis muito conhecidos!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;div align="center" style="margin-left: 0.3in;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;img align="left" border="0" height="66" hspace="13" name="graphics1" src="https://docs.google.com/File?id=dg3z4g2c_41fhmksxfc_b" width="88" /&gt;&lt;img align="right" height="76" hspace="6" name="Object1" src="https://docs.google.com/File?id=dg3z4g2c_42fbbpqmfg_b" width="81" /&gt; &lt;span style="color: red;"&gt;Azul&lt;/span&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt; e o&lt;/span&gt; &lt;span style="color: blue;"&gt;Vermelho&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="margin-left: 0.3in;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="color: purple;"&gt;Por &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="mailto:the.true.portal@gmail.com" title="Fale com o maluco que escreveu esta birosca!"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tiago “The Portal” Soares&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="sdfootnote-western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="western" style="border: 1px solid #000000;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Aviso aos leitores:&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="western" style="border: 1px solid #000000;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Não  é nossa intenção, de forma alguma, desrespeitar a lei internacional de  direitos autorais sobre propriedade intelectual. Esta produção não visa,  sob nenhum aspecto, o ganho de lucro ou de nenhum tipo de vantagem  sócio-econômico-cultural. Este conto é um mero exercício de imaginação,  devendo também ser ignorado para fins de cronologia de ambos os  personagens. E A O D F. Impresso pela Associação Nacional de  Oftalmologia.&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Posto Alfandegário do Novo México – Terça-feira, 22:25&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite transcorria vagarosa como só a própria noite poderia transcorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro,  Eduard Stalts gostaria de arrancar com as mãos nuas as amígdalas de  qualquer pessoa que lhe afirmasse isso neste momento. Não que isso fosse  grande coisa, já que ele gostaria de arrancar com as mãos nuas as  amígdalas de qualquer um que porventura viesse a ter qualquer tipo de  contato social com ele. Seu psicanalista dizia tratar-se de um raríssimo  e complexo caso de distúrbio pseudo-projecionista sobre a operação de  retirada das amígdalas de sua irmã mais velha, quando ele tinha apenas  seis anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stalts quis lhe arrancar as amígdalas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendeu  outro cigarro e continuou fitando o nada sem fim do deserto fronteiriço  entre os Estados Unidos da América e o território mexicano. Por que  cargas d’água mandaram-no para aquela panela a céu aberto? Tudo bem, sua  resposta para o seu superior, o Sr. Jones, dois meses atrás, sobre o  melhor local que ele poderia encontrar para os relatórios atrasados não  foi das mais ortodoxas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal, existem coisas piores do que espalhar todo o conteúdo de uma cesta de lixo sobre a mesa da chefia &lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUlvvhZQguI/AAAAAAAACb0/B_0zM72FCTQ/s1600/hash.png" title="Ou vocês acharam que se tratava de outra coisa?" /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu outra tragada e estava prestes a dar uma escapadela quando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Chefe, temos outro espertinho lá atrás. – o auxiliar disse para Stalts,  entrando calmamente na sala e sorvendo vagarosamente café de uma caneca  fumegante, com os dizeres “Melhor Fiscal Alfandegário do Mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stalts resmungou, se levantando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Já é o terceiro, só está noite! Porque esse bando de babacas não tenta  cruzar a fronteira na surdina, como qualquer refugiado decente. Lá, pelo  menos eles são problema da Guarda Nacional. Mas não, sempre tem um  mentecapto sem visto que tenta jogar um papo mole... Eu já vou, não me  olhe com essa cara!! Qual é a desse sujeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Disse que veio atrás daqueles dois bandidos que cruzaram a fronteira alguns dias atrás. Pelo menos imaginação o cara tem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem algum documento, pelo menos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Sem passaporte, só uns folhetos esquisitos sobre a Disneylândia. E a  identificação mexicana diz que o nome dele é Roberto Goméz Bolaños.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Escritório do Editor-Chefe do Planeta Diário – Terça-feira, 22:30&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, pessoal, silêncio, vamos ouvir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes  que Perry White sequer terminasse a frase, todos já havia silenciado e  prestavam intensa atenção a uma pequena televisão sobre a escrivaninha.  Na tela, um jovem de sardas começava a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Boa noite, este é o Diário de Metrópolis, segunda edição, com as  principais notícias do dia. Eu sou James Olsen, e estarei com vocês  durante a recuperação do nosso apresentador habitual, Jack Hilton.  Melhoras Jack!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu falei para ele não dizer isso – reclamou Lois Lane na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Shhhh!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Hoje com vocês – continuou Jimmy – as notícias do dia, os resultados  dos jogos da rodada, e a previsão do tempo para amanhã. – virou-se para a  outra câmera no corte, enquanto o fundo do cenário apresentava uma  figura estilizada de uma arma.:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Crime  internacional; segundo informações do FBI, dois perigosos bandidos  mexicanos atravessam o país e tem provável rota para Metrópolis. A  Inteligência Policial mexicana – pigarro discreto – passou a informação  que os foragidos Rámon Valdez Castillo e Carlos Vilagrán, conhecidos no  México pelas alcunhas de “Tripa Seca” e “Quase Nada”, respectivamente,  atravessaram a fronteira no sábado à noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Agentes do FBI e da Imigração não conseguiram localizá-los, mas uma  testemunha afirmou ontem à noite ter visto dois sujeitos cujas  descrições equivalem às dos delinqüentes, na rota 102, sentido  Metrópolis. As autoridades locais avisam que já estão cientes e pedem à  população que tomem medidas preventivas. Os bandidos são procurados por  assalto à mão armada, falsificação, formação de quadrilha, seqüestro,  tentativa de assassinato, entre outras acusações. Segue Ana Kramer com  reportagem na fronteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, antes o corte fosse feito, Jimmy emendou para o lado, em tom informal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Essa galera com medo de dois bandidinhos mequetrefes! O Super.... – e  voltou-se, branco e assustado para a câmera, após um sussurro rápido, no  que foi seguido pelo corte para a reportagem gravada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ohhh! – foi o som geral na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sabia que ele ia dar uma fora! – acrescentou Lois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dê um tempo ao garoto, isso acontece. – disse Clark Kent.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se eu conheço bem o diretor do Diário, não vai acontecer mais. – sentenciou Perry, acendendo seu charuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;Posto Alfandegário do Novo México – Terça-feira, 22:43&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stalts não entendia nada do que o tal Roberto falava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não  que ele apenas falasse em espanhol, como grande parte dos mexicanos que  tentava cruzar a fronteira. Ao contrário, ele falava claramente e sem  sotaque, ainda que seu jeito de falar era estranho; sua boca se mexia de  uma forma, mas o som parecia sair de outro jeito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande problema era que ele não falava coisa com coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa eu ver se eu entendi direito: você é formado em Engenharia, certo? – questionou Stalts.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, mas não exerço essa profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E qual atividade exatamente você exerce?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos dizer que eu sou famoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sério? – Stalts ergueu uma sobrancelha – E onde é famoso?!? No cinema?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, muita gente me vê na TV...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Corredores do Clarim Diário – Terça-feira, 22:45&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clark  acabara de se despedir de seus colegas, quando resolveu dar uma passada  no banheiro. Assobiava alegremente quando uma voz feminina distante  chegou em seus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Socorro, me ajudem! Superm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No espaço de tempo que se leva para piscar os olhos, uma conhecida figura azul e vermelha voava pelos céus de Metrópolis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superman  tentava identificar o local exato do chamado, mas a brusca interrupção  atrapalhou sua superaudição. Sabia que vinha de algum ponto ao norte,  mas demorou preciosos minutos vasculhando as ruas, antes que captasse  nova conversa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Soc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Shhh, não adianta gritar, ele não vai ouvir você. – o tom masculino era  autoritário - Há dezenas de pessoas na cidade, acha que apenas você vai  ser atendida? Passe logo a bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Usando de sua velocidade, Super já quase alcançava o beco escuro de onde vinham as vozes, quando ouviu a mocinha suspirar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, e agora quem poderá me defender?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- EEEEEEUUUUUUU!!!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Super viu o que julgou, num piscar de olhos, ser uma miragem ou alucinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um  sujeito baixinho acabara de surgir detrás de uma lata de lixo – embora  Super não tenha notado ninguém lá um segundo atrás. Estava vestido com  um uniforme vermelho amarrotado, tênis e shorts amarelos, um capuz e  duas antenas esquisitas em sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um coração amarelo em seu peito, com a inscrição CH.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mocinha exclamou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é o ...... Chapolin Colorado?!? – erguendo as sobrancelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não contavam com minha astúcia!!! Sigam-me os bons!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saltou por cima das latas, tropeçando e estatelando-se no chão. Um gato pardo &lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUlvvhZQguI/AAAAAAAACb0/B_0zM72FCTQ/s1600/hash.png" title="Afinal, à noite... bem, deixa pra lá..." /&gt; fugiu beco adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundos silenciosos transcorreram no beco, embora o Super tinha certeza de ter ouvido um ruído distante, embora esquisito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é você? – exclamou boquiaberto o bandido, soltando o braço da jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também gostaria de saber. – emendou Super.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- SUPERMAN?!? – exclamaram os três, notando apenas agora o recém-chegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué, cadê seu saco de dinheiro e a cartola? – indaga Chapolim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Super, que b... – interpelou a mocinha, sendo bruscamente cortada por Chapolim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se faça de desentendido, não! Da última vez, eu peguei os bandidos e você levou todo o crédito às minhas custas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdão, mas do que você está falando? Eu nunca vi voc....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Super, eu... Chapolim, olhe.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só um minuto, senhorita. Não me venha com essa não! E eu sei que você também esteve no hotel!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por Krypton, eu....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- CALEM-SE, CALEM-SE, CALEM-SE, VOCÊS NÃO VÊEM QUE O BANDIDO ESTÁ FUGINDO!?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Homem de Aço e o Polegar Vermelho vêem o vulto deixando rapidamente o beco e entreolham-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Suspeitei desde o princípio! Sigam-me os bons!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes  que Chapolim consiga dar um passo, Superman está de volta, com o  bandido preso pelo colarinho e desacordado. Chapolim fez caretas  estranhas, resmungando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Exibido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui, senhorita. Uma patrulha já vem vindo, eu já expliquei o que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, muito obrigada Super! E.... há, obrigado.. Polegar. – Chapolim dá um sorriso de leve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, não há de que! Você tem planos para esta noite?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um novo silêncio seguiu-se e Super podia jurar ter ouvido novamente os ruídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Um momento! Precisamos conversar, isto tudo está muito estranho. Quem  é, ou o que é você? E afinal, que espécie de roupa é essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Engraçado, ia lhe fazer a mesma pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante  um momento apenas, Superman ruborizou, e desejou saber sumir, como o  Bruce costumava fazer. A garota deu-lhe um olhar de esguelha e que  começou a caminhar na direção da viatura que chegara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem, vamos esclarecer as coisas longe daqui. Posso te carregar para um telhado próx....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Telhado?! Por que essa obsessão dos super-heróis deste país com telhados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Super ergueu a sobrancelha: - Então, o que você sugere?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Rodovia Estadual 102 – Terça-feira, 23:02&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um  homem esguio, vestindo um terno surrado, fumava e observava a paisagem  deserta, atento aos carros que passavam pela estrada, uma maleta grande  firmemente segura em sua mão. Logo adiante estava um Dogde velho e  maltratado, parado no acostamento. Embaixo do carro, um outro homem  examinava o veículo. Um pouco mais adiante, uma placa indicava que  faltam 5 milhas &lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUlvvhZQguI/AAAAAAAACb0/B_0zM72FCTQ/s1600/hash.png" title="Não, não sei quando isso dá em quilômetros." /&gt; para Metrópolis. E um pouquinho mas adiante..... nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem embaixo do carro levantou-se, revelando uma grande cicatriz junto ao olho e aproximou-se do outro, que indagou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então, Quase Nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, está com o pneu furado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Certo, en.... espere um pouco, disso eu já sabia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então por que não me disse antes?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... burro! Então, dá pra consertar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, o estepe está vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Raios! Burro! Por que demorou tudo isso para me contar?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, nem vem! A culpa é sua, você que roubou essa lata velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  E me agradeça que o dono deixou as chaves no quebra-sol. Ver todos  aqueles filmes policiais serviu para alguma coisa..... Vem, precisamos  chegar na cidade e entregar essa coisa antes que apareça algum tira.  Vamos pedir uma carona. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem você pensa que é? Rosa, a Rumorosa!?? Ninguém vai dar carona para nós esta hora da noit....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, amigos, precisam de uma carona?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos voltaram-se para um sujeito bonachão, sorridente, numa caminhonete enlameada, emparelhado com os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cinco minutos, Tripa Seca e Quase Nada se dirigiam para a cidade, deixando para trás um gordinho indignado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Café Downtown 24h – Terça-feira, 23:31&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  garçonete do Café Downtown 24h estava acostumada a todo tipo de cliente  durante a noite, desde bêbados, trabalhadores noturnos, sujeitos  mal-encarados, casais de adolescentes fugitivos e trupes de palhaços  malabaristas. Mas pela primeira vez sentiu-se realmente intimidada pelos  dois sujeitos da mesa dos fundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais café, senhores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Não, obrigado. – disse Superman, visivelmente desconfortável,  voltando-se para o Vermelhinho – Então você está atrás desses dois,  certo? Mas eles não me parecem tão perigosos assim para justificar uma  busca de um.... herói além da fronteira. Eu acredito que nossas  autoridades podem....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tripa Seca e Quase Nada  são dois dos nossos mais perigosos mal-feitores. E também são minha  responsabilidade, portanto eu vim atrás deles. Além disso, tem mais:  eles vieram aqui especificamente para fazer uma entrega ultra-secreta  para um bandido bastante poderoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que tipo de entrega? E para quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda não sei exatamente. O que quer que eles estejam trazendo pode afetar muita gente. Mas eu certamente descobrirei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Talvez eu possa ajudá-lo. – Chapolim esteve a ponto de retrucar, mas  mudou de idéia. - Você tem maiores informações sobre os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho esses cartazes com fotos dos dois. – Passando-o para Super. Ele observou atentamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Humm. Certo, um tem uma cicatriz no olho, o outro é careca e usa barba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Careca? Barba? O que..... ah, sim, só um minuto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E inverteu o cartaz com a foto do Tripa Seca. Super achou estar ouvindo coisas, mas pensou ter ouvido aquele som novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Certo. Vamos vasculhar a cidade e nos encontrarmos naquele beco pela  manhã caso não ache nada. Se precisar de mim, bastar gritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Não há necessidade, eu posso localizá-lo com minhas antenas de vinil. –  Super olhou desconfiado para os artefatos mirrados sobre o capuz do  Polegar. Mas antes de fazer qualquer comentário, precisou pedir licença e  foi ao banheiro, caminhando com as pernas ligeiramente trançadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Buck’s Alley – Quarta-feira, 00:51&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem certeza que o lugar é esse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que tenho! O contato disse que nos encontraria, mas por segurança pedi que ele usasse a senha habitual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tripa  Seca e Quase Nada adentraram o bar, a fumaça de cigarros acumulada  sobre as mesas de sinuca, enfurnada de tipos mal-encarados. Mal fecharam  a porta, e um sujeito baixinho, de bigode fino e pança proeminente  aproximou-se, com uma expressão carrancuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Reintegro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Patas de galinha! – respondeu automaticamente Quase Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda bem! Pensei que iria ter que falar essa bobagem para mais gente ainda. Venham comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles  seguiram o sujeito calmamente até uma sala pequena nos fundos do bar,  cuja chave ele tirou do bolso. Todos entraram e o baixinho trancou a  porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trouxeram a encomenda? – indagou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está bem aqui! – respondeu Tripa Seca, dando um tapinha de leve na maleta – Bem segura comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Beleza, mostrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, um minuto, disseram que só devemos entregar para o comprador! – replicou Quase Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Sim, mas eu preciso apenas checar se está tudo bem para a reunião de  amanhã. Acham que chegariam perto do homem com uma maleta fechada, sem  que ninguém tenha visto? O que você são, burros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bandidos mexicanos entreolharam-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Certo, mas disseram que esse negócio é perigoso fora da mala. Não vai  nos fazer mal? – indagou Tripa Seca, com um ligeiro tremor na voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só se ficar exposto durante um longo tempo. Apenas mostrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tripa Seca destrancou a maleta e abriu. Um brilho verde iluminou a sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Céus de Metrópolis – Quarta-feira, 08:37&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superman  sobrevoava Metrópolis, pensativo. Por mais esquisito que o herói  mexicano pudesse parecer, suas intenções pareciam sinceras, e o que quer  que os bandidos estivessem carregando podia ser realmente perigoso –  afinal, nem o FBI sabia do que se tratava. A noite anterior fora um  fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele já havia passado rapidamente pela  redação do Planeta, e agora ia ao ponto de encontro acertado com o  Chapolim, o beco da noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O beco  estava vazio, com exceção do gato, que fuçava uma das latas de lixo.  Super aguardou alguns minutos, perguntando-se onde estaria Chapolim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente,  ele notou um conhecido par de tênis amarelos e meio a alguns jornais,  acompanhados de uma respiração alta, profunda e compassada. E novamente  os sons estranhos, distantes, parecidos uma gravação mal-feita...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirou  os jornais e um tampão de papelão, encontrando Chapolim com as mãos  embaixo da cabeça, babando pelo canto da boca. Ao ter os jornais  retirados, o Vermelhinho remexeu-se, incomodado, e gritou a plenos  pulmões, embora ainda dormindo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- FECHEM A PORTA DA COZINHA!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Super suspirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chapolim? Acorde!! Já é de manhã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ZZZZ... Huh?!? Hã?! Ah..... – bocejou longamente, esticando os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Teve bons sonhos? – um certo sarcasmo ressonou na voz do Homem de Aço, para seu próprio espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, obrigado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por Krypton!!! Afinal, por que você estava dormindo aqui? Passou a noite toda aqui?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Sim, é claro. Estive atento a qualquer movimentação suspeita de Tripa  Seca e Quase Nada por aqui. Todos os meus movimentos são friamente  calculados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que tipo de movimentação suspeita deles poderia haver aqui?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que o bandido sempre volta à cena do crime!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eles nunca estiveram aqui!!!! – disse Super, irritado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ..... suspeitei desde o princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu pai estelar! Bom, isso significa que você não descobriu absolutamente nada sobre o caso, certo? Maravilha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, o melhor que temos a fazer agora.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chapolim foi interrompido por uma série de bips esquisitos, agudos e irritantes, muito semelhantes a código Morse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Silêncio, silêncio! Minhas anteninhas de vinil estão detectando a  presença do inimigo. Vou fulminá-lo com golpes de minha Marreta Biônica!  – sem que Superman sequer se desse conta, um martelo amarelo e  vermelho, muito semelhante a um brinquedo de plástico, foi jogado na mão  de Chapolim. Super não conseguiu, mesmo com todos os seus super  sentidos, dizer de onde ela veio &lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUlvvhZQguI/AAAAAAAACb0/B_0zM72FCTQ/s1600/hash.png" title="Embora ele tivesse tido a nítida impressão que um sujeito baixinho, de boné, num macacão surrado tenha arremessado para ele e depois misteriosamente desaparecido..." /&gt;. - Sigam-me os bons!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um minuto, afinal onde você está indo??! Cadê esse tal inimigo? Não vejo os tais bandidos em canto algum!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Mercedes preta passou rapidamente pela rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Ruas de Metrópolis – Quarta-feira, 08:48&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Eu sabia que ele ia acabar aparecendo! Baixinho intrometido!! – Quase  Nada bateu com o punho, no que depois percebeu ser sua própria perna.  Uivou de dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Burro!! Não se preocupe, estaremos bem longe antes que ele nos encontre. – replicou Tripa Seca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Talvez, mas o Superman estava com ele. E o Azulão costuma ser um  problema. – disse o contato deles, agora vestido com um terno impecável,  e com um charuto na boca. – Mas se tivermos sorte, eles provavelmente  vão começar a se estapear, como fazem esses supertipos quando se  encontram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase Nada olhou em dúvida para Tripa Seca, que simplesmente deu de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  De qualquer forma, não se deixem levar por essas preocupações  secundárias. Já estamos chegando no local da reunião. O comprador já  está ansioso, há um bom tempo vem procurando outro desses meteoros..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A limusine entrou discretamente no reluzente edifício-sede da LexCorp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Ruas de Metrópolis – Quarta-feira, 08:57&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Afinal, por que você não usou sua visão de raios-X para achar o Tripa Seca e o Quase Nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já disse, checar tudo à volta seria invasão de privacidade. Não vou prejudicar ninguém com meus poderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez você possa usar seu superolfato para encontrá-los. Eu acho que tenho um pedaço de pano por aqui.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quem disse que eu tenho um superolfato!?!? – disse Super irritado. – Eu não sou um cachorro!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem, não se irrite. O que você sugere, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Super  também não tinha idéias, já que checara com seus canais habituais de  informação. Seu faro jornalístico aparentemente estava resfriado. Por  fim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez possamos usar suas antenas para localizá-los novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não dá! – respondeu o Polegar – A menos que alguém me chame diretamente, elas só funcionam a curta distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então vamos patrulhar a cidade pelos céus até você achar um sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como?!? Você está acostumado, mas e eu?! Não trouxe nenhuma daquelas pedras de Vênus comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Super ponderou a afirmação durante alguns segundos, mas desistiu de entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, isso não é difícil de resolver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Sala de Reuniões da Presidência da LexCorp – Quarta-feira, 09:31&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tripa  Seca e Quase Nada aguardavam nervosamente na colossal mesa de vidro  escuro. Seu contato havia deixado-os na sala e pediu que esperassem um  pouco. Contudo, mesmo os três minutos que decorreram pareceram horas  para os vilões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, um homem grande, num  terno italiano preto, cabeça totalmente lisa entrou na sala e sentou-se a  cabeceira da mesa, entre os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou Lex Luthor, senhores. Estão com a mercadoria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tripa Seca demorou alguns segundos para responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Er, hã... ah, sim senhor, está aqui, senhor! – escorregando a maleta pela mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luthor  abriu cautelosamente a maleta. Não que realmente temesse qualquer tipo  de ataque à traição ou armadilha por parte dos mexicanos – afinal,  gastara os últimos cinco minutos examinando-os com potentes scanners de  todos os tipos. Era apenas excitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O brilho verde da kryptonita encheu o sorriso de Luthor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fascinante. Parece ser muito pura, vai ser bem eficiente esta pedra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- AEROLITO!!!! – gritou repentinamente Tripa Seca. Os outros dois olharam curiosamente para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como disse?! – perguntou Luthor. Tripa não sabia bem o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah...aha...aha...... ha... desculpem-me. Impulso involuntário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  De qualquer forma. Quem diria que um pedaço de kryptonita tenha caído a  tanto tempo no México e meus satélites não tenham conseguido  localizá-lo. Segundo foi dito, ela caiu em uma mina de chumbo, correto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bandidos entreolharam-se, constrangidos. Quase Nada se manifesta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, o Baixinho só mandou fazer a entrega, só isso... Ah, e receber a grana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Sem delongas – disse Luthor, estalando os dedos. O homem que os havia  trazido voltou com uma segunda pasta. Abriu-a diante deles, revelando  várias barras de ouro. – Conforme o “Baixinho” pediu, barras sem marcas  de ouro puro, totalizando dois milhões de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase Nada pegou a maleta, os olhos arregalados &lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUlvvhZQguI/AAAAAAAACb0/B_0zM72FCTQ/s1600/hash.png" title="Bem, um mais que o outro." /&gt;, enquanto todos se levantavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Meu assistente os levará de volta ao hotel, pela entrada dos fundos,  naturalmente. Pelos telejornais, vi que os senhores atraíram muito mais  atenção que o desejado. Sugiro que voltem ao seu país o mais rápido  possível. Este cidade tem – pigarreou – alguns problemas para homens  que... hum... trabalham em esquemas distintos da lei. Permaneçam  discretos e JAMAIS mencionem que estiveram aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luthor deu um sorriso amplo, porém assustador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi um prazer fazer negócios com os senhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os  bandidos e o assistente de Luthor se retiraram, deixando o  mega-empresário e sua nova aquisição sozinhos na sala. Luthor estava  entediado. Conversar com estrangeiros sempre lhe pareceu entediante, por  mais que sua manha corporativa o obrigasse a tratar corretamente a mais  baixa das ralés. Não que isso viesse a importar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou a pedra para a sala contígua, imaginando que não deveria demorar muito agora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Céus de Métropolis – Quarta-feira, 10:13&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários  transeuntes observaram o céu atentamente naquele momento. Não que a  característica figura azul e vermelha do Superman fosse desconhecida; ao  contrário, tornara-se parte da paisagem da cidade. A visão do Homem de  Aço carregando pessoas também não era de todo desconhecida, seja  bandidos sendo levados à cadeia, ou inocentes sendo resgatados de  acidentes de carros e quedas acidentais de trinta andares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, não era todo o dia que o Super carregava alguém de trajes tão berrantes. Ou de forma tão esquisita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se aproveitam de minha nobreza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preferia ir a pé?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superman  segurava Chapolim pelo uniforme, porém pelas costas, na altura da  cintura, algo como um guindaste carregando um saco de batatas.  Sobrevoavam a cidade à baixa velocidade, daí chamarem tanto a atenção.  Super perguntou, num misto bizarro de impaciência e diversão velada pela  situação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Detectou alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, mas não se preocupe. Saberemos a presença dos mal-feitores como se fossem fogos de artif...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O topo de um prédio a noroeste dos paladinos da justiça &lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUlvvhZQguI/AAAAAAAACb0/B_0zM72FCTQ/s1600/hash.png" title="Er.......hnff.......gnnfff..........HUAAAHHAHAHA!!!!!" /&gt; explodiu numa bola alaranjada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ício...hein?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superman  havia deixado Chapolim na rua em frente ao edifício em chamas, enquanto  iniciava uma rápida operação de retirada dos moradores. Sua visão de  raios-x revelara que, como a explosão fora próximo do topo do prédio –  um do vários hotéis baratos daquela rua – a maior parte dos ocupantes já  havia deixado o edifício. Porém algumas pessoas ainda estavam presas  entre as chamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sigam-me os bons! – disse Chapolim, um tanto perplexo, mas guiando as pessoas para fora do edifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superman  retirava o último ocupante, quando percebeu que duas figuras suspeitas  afastavam-se do prédio sorrateiramente. Eram Tripa Seca e Quase Nada,  que ao perceberem os olhos do Homem de Aço, botaram-se a correr sem  discrição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chega de fugas por enquanto,  senhores. – disse Super, agarrando ambos pelos colarinhos. Entortou uma  calha de chuva próxima em torno dos bandidos. Ambos estavam detidos, mas  neste momento Super ouviu um grito que lhe gelou os ossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um  garoto, de não mais que cinco anos de idade, acabara de precipitar-se  do último andar do prédio em chamas. Provavelmente escondera-se atrás  dos antigos canos de chumbo do edifício antigo. Por mais rápido que  fosse, Super via claramente o garoto aproximando-se do chão, fora do seu  alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No auge do desespero, uma buzina foi ouvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Super  chegara ao garoto, mas o mesmo estava parado, como se preso no tempo, à  cerca de três metros do chão.Tinha a cor esquisita. Uma multidão  aturdida contemplava um Superman ainda mais aturdido, que contemplava  Chapolim Colorado, segurando uma corneta que parecia ser de brinquedo,  uma expressão de triunfo no rosto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não contavam com minha astúcia!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que aconteceu?!? – perguntou Super – Como você fez isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Simples, com um dos meus recursos favoritos: a Corneta Paralisadora. Um  buzinada paralisa totalmente qualquer pessoa ou objeto. Dois toques  devolvem a mobilidade. Segure o garoto, eu vou lhe demonstrar, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Super  segurou firme, porém delicadamente o garoto, preparando-se para  amortecer a provável queda. O Polegar Vermelho apontou a buzina e  apertou duas vezes, lembrando Super um sorveteiro de subúrbio da década  de 20. A cor do garoto voltou ao normal e ele recomeçou a cair na  velocidade em que parara, mas foi resgatado e posto são e salvo no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  multidão à volta começou a aplaudir. Superman já havia até se  acostumado a esse tipo de situação, mas Chapolim não parecia saber bem o  que fazer. Super quebrou a cena, antes que uma adolescente na multidão  terminasse de lhe escrever o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Venha Chapolim, ali adiante tem dois amigos seus com quem você provavelmente vai querer falar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Escritório do Presidente da LexCorp – Quarta-feira, 10:48&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  imensa janela aberta na cobertura do edifício da LexCorp deixa entrar  um vento fresco no dia excepcionalmente quente em Metrópolis. Luthor  admirava a paisagem pacientemente sentado em sua poltrona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seus planos estão acabados, Lex!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Exato! Tripa Seca e Quase Nada deixaram escapar que você era o comprador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lex voltou-se ligeiramente à esquerda, onde duas figuras coloridas estavam paradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Ah, meu caro Superman! Já o aguardava, por favor, entre. Vejo que  trouxe Chapolim; confesso que, quando recebi meus relatórios, imaginava  que não passasse de uma piada mexicana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chapolim resmungou algo sobre nobreza que o Super não fez questão de ouvir. Voltou ao empresário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desista da sua nova arma, Luthor. O que quer que seja, você sabe muito bem que irei deter antes que cause mal a alguém!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Exatamente meu caro, escoteiro. – disse Luthor, apertando calmamente um  botão em sua cadeira; em menos de um segundo, barras de metal surgiram  do chão e indo até o teto, cercando completamente Chapolim e Super – É  exatamente por isso que esta arma é dirigida a você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com  o aperto de um segundo botão, um vão na parede abriu-se, revelando uma  luminescência verde. Antes que Chapolim se desse conta do que acontecia,  Super estava ajoelhado no chão, contraindo-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Kryptonita!! Er... era isso... a ar...ma....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Super, você está bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Super  não respondeu. Embora a kryptonita estivesse devastando sua vontade, de  alguma forma queria compensar Chapolim por pergunta tão bem colocada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Ah, o doce sabor da vitória. Eu poderia admirar essa cena até o amargo  fim, mas percebo que os dois trapalhões que trouxeram a pedra  sobreviveram ao meu pequeno presente. Vou até a linha segura  providenciar que alguém cuide deles. Quanto a você, Chapolim, ainda não  decidi o que fazer a respeito, mas por enquanto pode ir admirando o  Homem de Aço se engasgar. Ah, Superman, tente não estar muito morto até  minha volta, sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirou-se pela porta principal, num andar firme, mas entusiasmado. Chapolim agachou-se ao lado de Super.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Ouvi isso?! Ele esta prestes a mandar alguém assassinar Tripa Seca e  Quase Nada. Eles são malfeitores, porém devem ir para cadeia. Precisamos  fazer algo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acc...cho... qu... que...  tem....os ... u-um... prob.....lema.... mais...... imediato.  Con....seg...eu.... abr...ir .....as....b-barras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Palma, palma, palma, não priemos cânico!! Isto não será necessário! Posso passar facilmente entre elas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo  diante da absurdamente forte radiação de kryptonita, Super conseguiu  expressar descrença, observando a protuberante barriga de Chapolim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Digo que posso passar facilmente entre elas, utilizando uma de minhas  famosos pílulas de Polegarina! – disse Chapolim, retirando do bolso às  costas o que aparentava ser um vidrinho de remédios. – Basta uma delas, e  eu fico reduzido a uma altura de vinte centímetros. Observe só!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chapolim  engoliu um dos comprimidos, e Super pensou que ele havia se abaixado.  Porém, ao olhar para o chão, percebeu a mudança que ocorrera no Polegar  Vermelho: estava reduzido à altura que dissera, muito embora sua cor  também parecia mais brilhante, e ele parecia ligeiramente deslocado, em  duas dimensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fan...tástico!...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não contavam com minha astúcia!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá... at..é.... a cad..ei....ra.....ape...rt...e.....o.....b....ot..ão.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem! Sigam-me os bons!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Polegar  seguiu em direção à cadeira, porém em seu reduzido tamanho demorou mais  de um minuto até alcança-la. Tentou pular até o braço da cadeira,  inutilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vo..lte...ao....no...rm...al..... – disse Super, cada vez mais fraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não dá, os efeitos das pílulas de Polegarina duram alguns minutos. Eu vou tentar escalar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subindo  em um dos apoios das rodinhas, começou a escalar o suporte principal.  Em certo momento, quase na base inferior do assento, Chapolim  desequilibrou por um segundo, mas conseguiu agarrar-se na alavanca de  regulagem da cadeira. Aproveitando a deixa, Chapolim percorreu a  extensão da alavanca até sua ponta, bem próximo do estofado da cadeira.  Com um balanço rápido, consegui chegar ao lado superior do assento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mu...i....to bem.... Pole....gar....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Vejamos agora – disse Chapolim, aproximando-se dos controles. Apertou  com certo esforço um dos botões. As barras de metal baixaram lentamente,  deixando no chão apenas o corpo estendido do Superman. – Bem melhor  agora, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O.... OU-UTRO!!! – expirou Superman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Suspeitei desde o princípio....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chapolim  apertou outro botão, fechando a pesada porta de chumbo que revelara o  meteoro. As convulsões que haviam tomado conta do Homem de Aço pararam.  Em alguns minutos, Super conseguiu levantar-se, recuperando-se a olhos  vistos. Chapolim retornou ao tamanho normal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado, Vermelhinho. Sem sua ajuda, eu não teria resistido. Agora vamos pegar Luthor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Espere! Espere, espere. O assassino que Luthor enviou deve estar atrás  de Tripa Seca e Quase Nada neste momento. Eu duvido que eles venham a me  invocar, então você é o único que pode salvá-los agora. Vá, que eu me  encarrego do carequinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas Luthor é um gênio do mal! Como você espera detê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se preocupe, eu me encarrego de tudo. Vá agora! Sigam-me os bons!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;13º Distrito Policial de Metrópolis – Quarta-feira, 11:14&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Eu te disse que essa história ia acabar mal pra gente. – resmungou um  Quase Nada carrancudo. Tinha os braços algemados atrás das costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Não adianta reclamar agora. Você queria a sua parte da grana que o  Baixinho ia dar tanto quanto eu. – retrucou Tripa Seca. Também tinha os  braços algemados às costas. Ambos estavam sentados à mesa de uma sombria  sala de interrogatórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, mas não fui eu que me quis cruzar a fronteira. Você devia ter deixado o Chinesinho fazer isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E deixar ele abocanhar boa parte da grana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, olha só o que a gente abocanhou. E por falar nisso, você fica me devendo essa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devendo?!?! – Tripa Seca agitou-se na cadeira. – Devendo o quê?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por ter salvado a sua vida, oras! Se eu não tivesse jogado a bomba pela janela ela teria explodido na nossa cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Jogado?!? – Tripa Seca fez menção de levantar-se. – Que é que foi, que é  que foi, que é que há?!?! Você é que deixou a mala perto da janela, e  conseguiu a façanha de cair sobre a mesa e jogá-la pra fora, naquele  telhado. Essa foi a nossa sorte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sorte?!? – Quase Nada se se agitou também. – Está me chamado de burro?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que você acha?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos  se levantaram e começaram uma briga que certamente teria sido acirrada,  se qualquer um dos dois pudesse usar os punhos. Nenhum dos dois parecia  ter chegado a um consenso entre ombradas ou cabeçadas &lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUlvvhZQguI/AAAAAAAACb0/B_0zM72FCTQ/s1600/hash.png" title="Ou a briga durara muito pouco para ter lhes ocorrido a remota idéia de chutes." /&gt;, quando a porta  abriu-se. Um homem alto em um terno escuro entrou, pigarreando  discretamente, no tom exato para que os dois parassem de brigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhores... – mostrou a credencial do FBI – vocês são Rámon Valdez Castillo e Carlos Vilagrán?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, somos. – respondeu um confuso e esbaforido Tripa Seca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado. – dito isto, puxou uma pistola com silenciador, apontou na direção dos mexicanos e disparou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Espere, eu sou alérgico a balas! – implorou Quase Nada, esperando  sentir a última dor. Embora não sentisse nada, percebeu que havia ficado  mais escuro. Recebeu a falta de luz como um sinal da morte vindoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou alguns segundos para perceber que a sombra na verdade era um grande homem diante da parca iluminação da saleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes  que o assassino pudesse perceber que suas balas estavam jogadas no  chão, totalmente retorcidas, ele já se encontrava fortemente amarrado  com o próprio paletó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês três esperem aqui! Eu vou explicar a situação ao delegado e solicitar segurança extra para os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superman  esperava que pudesse fazer tudo isso e chegar a tempo de deter Luthor.  Não imaginava como Chapolim poderia lidar com a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Escritório do Presidente da LexCorp – Quarta-feira, 11:21&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luthor  retornava a sua sala, acompanhado de um par de seguranças armados.  Esperava ainda encontrar Superman com vida para aproveitar seu triunfo  ao máximo. Também decidira eliminar Chapolim, mas o faria longe dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo,  ao entrar em sua sala, percebeu que alguma coisa estava errada. As  grades e a kryptonita tinham sido recolhidas e nenhum dos dois heróis  fantasiados estava à vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o quê?!?! Como pode acontecer?!? Vocês dois, revistem cada cent...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um toque de buzina foi ouvido. Dois toques foram ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...ímetro desta sala e.... mas o que significa isto?!!?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As  pesadas armas de seus soldados de elite tinham simplesmente  desaparecido. Aliás, algo mais que isso: seus capacetes, coletes  balísticos, rádios de comunicação, munição extra e – Luthor não pode  deixar de notar – as calças de ambos estavam abaixadas, revelando as  ceroulas do Pernalonga e dos Impossíveis de seus envergonhados  seguranças. Teria prestado mais atenção nisto se não tivesse percebido  que suas calças também estavam ao chão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo  ao lado deles o Polegar Vermelho se desdobrava em gargalhadas. Em suas  mãos, uma corneta que parecia saída do carrinho de um sorveteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Como você...!?! Como ousa...?!?! Eu.... eu....eu...... vocês dois,  peguem esse maldito!!! – praguejou Luthor enquanto ocultava novamente  suas cuecas de seda. Após alguns segundos para recuperar a dignidade,  ambos os seguranças lançaram-se impetuosamente contra o Vermelhinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um toque, seguido de outros dois toques foram ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora,  ambos os seguranças tinham-se estatelado no chão com um grande  estrondo. Tinham sido, de alguma forma, amarrados pelas pernas com o  casaco de um terno, que se rasgara quase ao meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luthor deu-se conta que estava sem o casaco de seu impecável terno italiano de U$ 45.000,00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua  careca havia ficado subitamente vermelha. E o Vermelhinho tinha  lágrimas nos olhos, rindo soltamente no lado oposto da sala. Porém,  antes que Luthor conseguisse agarrar o pescoço de Chapolim, ou que seus  seguranças conseguissem se desvencilhar, o Polegar apertou a buzina  novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luthor esganava com uma fúria que  jamais sentira antes. Podia sentir a traquéia quase sendo esmagada pela  pressão de seus dedos..... e olhou fundo no rosto de um dos seus  seguranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O empresário soltou o homem, que  fugiu assustado pelos corredores, seguido bem de perto pelo seu  companheiro. Chapolim, agora sentado sobre a mesa do presidente, parecia  sentir dores no estômago de tanto rir. Luthor podia sentir o sangue  pulsar nas têmporas, um fiapo de baba escorrendo pelo canto da boca, uma  raiva muito além de tudo o que sentira. Deixando de lado toda a  racionalidade, desferiu um soco na direção de Chapolim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma buzinada. Duas buzinadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luthor  sentiu uma tremenda dor ao quase arrebentar seu punho contra um pilar  que ele jurava estar do outro lado da sala. Aliás, ele estava do outro  lado da sala. Chapolim estava sendo no chão, segurando o estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  dor ajudou a trazer um pouco de clareza à mente de Luthor. Chapolim  estava claramente fazendo algo com ele. Seria inútil continuar apenas  tentando detê-lo. Luthor aproximou-se de sua mesa e levantou um tampão,  onde haviam vários botões. Luthor aproximou-se para apertar um deles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  choque eu tomou da fiação totalmente desencapada quase lhe fez esquecer  o ruído da buzina. Num piscar de olhos o painel inteiro estava aberto,  inutilizado. A raiva cega tomou-lhe novamente e ele avançou novamente  contra Chapolim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém antes mesmo que Polegar  erguesse a Corneta Paralisadora, o todo-poderoso mega-empresário Lex  Luthor tropeçou nos restos de seu caro terno italiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então apagou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  O que aconteceu por aqui?!? – Perguntou um confuso Superman, entrando  pela janela do escritório de Lex Luthor. O mega-empresário estava  estatelado no carpete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acredite ou não, ele fez isso sozinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Saguão Principal do Edifício-Sede da LexCorp – Quarta-feira, 14:05&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um miríade de policiais, detetives, agentes do FBI, funcionários da LexCorp, repórteres, fotógrafos e cães de rua &lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUlvvhZQguI/AAAAAAAACb0/B_0zM72FCTQ/s1600/hash.png" title="Sim, a porta estava aberta." /&gt; inundava o amplo saguão de entrada da LexCorp. Mesmo com as declarações  de Superman e Chapolim, a coisa toda ainda estava muito confusa, o que  deixou simplesmente encantados toda a imprensa presente. Um curiosa Lois  Lane e um visivelmente aborrecido Jimmy Olsen conversavam com Superman,  quando Chapolim, após conversar com o quinto detetive diferente,  aproximou-se do Homem de Aço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, creio que o Luthor vai ficar na prisão por um bom tempo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Creio que não seja o caso. – retrucou Superman – Luthor tem todos os  advogados que o dinheiro sujo pode pagar. Ele, infelizmente, vai sair  quase ileso disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, acredite, eu mostrei a ele com quanto paus se faz uma andorinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superman  já estava quase se acostumando com o ruído estranho que vinha ocorrendo  em situações assim. Mas não conseguiu conter a pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Afinal, o que aconteceu naquela sal....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  EU VOU PEGAR VOCÊ, SEU INSETO!!!!! VOU ACABAR COM VOCÊ!!!! – Luthor era  quase arrastado por dois policiais truculentos, enquanto vociferava  para Chapolim. – EU VOU TE SEGUIR ATÉ VÊNUS SE NECESSÁRIO!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E eu nem tive a oportunidade de lhe aplicar a Égua Voadora... – retrucou Chapolim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que a maior parte da multidão estava dispersa, O Homem de Aço e o Polegar Vermelho deixavam o prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chapolim, devo confessar que sua intervenção foi essencial. Obrigado pela ajuda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não contavam com minha astúcia!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Creio que você vai voltar ao México, junto com os bandidos, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, eu acho....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Sr. Colorado? – um homem não muito velho aproximou-se dos heróis,  vestindo um terno surrado e óculos fundo-de-garrafa. Eu sou Willian  Gibson, Departamento de Imigração dos E.U.A. Devido ao caso todo, eu  precisaria conferir o seu passaporte e....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Suspeitei desde o princípio! Acho que devo retornar para casa agora. Nos encontramos por aí, Superman Sigam-me os bons!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sai correndo como um doido, com o agente de imigração no seu encalço, deixando um pensativo Superman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  Homem de Aço começou a flutuar lentamente, pensando. Como alguém tão  atrapalhado poderia ser um herói? Ao menos, sentia que o coração dele  estava no lugar correto. Agradeceu a seu pai Kryptoniano por não se ver  as voltas com esse tipo de problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para o alto, e avante!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E decolou a toda velocidade em direção aos céus......&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...  esbarrando espetacularmente no mastro da bandeira norte-americana no  topo do Planeta Diário. Mastro e bandeira foram caindo vertiginosamente  em direção ao chão. Desta vez, enquanto voava de volta e agarrava o  mastro antes que este alcançasse o chão, ouviu mais claramente do que  nunca o ruído de antes, algo como uma gravação mal-feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assemelhava-se muito a risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;EPÍLOGO: Posto Alfandegário do Novo México – Quarta-feira, 15:25&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um  furgão branco do Hospital Psiquiátrico do Novo México tinha suas portas  traseiras cuidadosamente abertas, enquanto dois enfermeiros carregavam  um homem forte, envolvido em uma camisa de mangas bem longas para fora  do Posto Alfandegário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não estou louco, eu  VI ELE SUMIR DIANTE DOS MEUS OLHOS – Stalts babava pelo canto da boca. –  Num segundo ele estava, no outro eu ouvi um monte de bips esquisitos e  ele sumiu!! A mala dele ainda está lá, podem ver!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Certo, cara. – disse pacientemente um do enfermeiros – E eu sou o Superman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há, boa Mike, e eu sou o Chapolim Colorado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos riram enquanto trancavam Stalts no furgão e preparavam-se para sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- EU DISSE, ELE DESAPARECEU!!! AAAHHHHH!!! EU VOU ARRANCAR AS AMÍDALAS DELE!!!!!!!!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o furgão seguiu lentamente estrada a fora, seguido por uma nuvem de poeira....&lt;br /&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="western"&gt;&lt;span id="goog_632226196"&gt;&lt;/span&gt;&lt;img align="bottom" height="99" name="Object2" src="https://docs.google.com/File?id=dg3z4g2c_43fjk9zkdx_b" width="120" /&gt;&lt;span id="goog_632226197"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Dedicado à memória de Jerry Siegel e Joe Shuster&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Que um dia seja feita a justiça que eles idealizaram&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Dedicado à grande obra de Roberto Goméz Bolaños,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O nosso eterno Chespirito&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7083356798620582408-6085004389024187160?l=escritormeiapataca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='https://docs.google.com/Doc?docid=0AasIl8n2dN8hZGczejRnMmNfNDBkNHpra21tbQ&amp;authkey=CN6VqPYP&amp;hl=pt_BR' title='Conto: O Azul e O Vermelho'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/6085004389024187160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/02/conto-o-azul-e-o-vermelho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/6085004389024187160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/6085004389024187160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/02/conto-o-azul-e-o-vermelho.html' title='Conto: O Azul e O Vermelho'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUlvvhZQguI/AAAAAAAACb0/B_0zM72FCTQ/s72-c/hash.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408.post-7043087754237878546</id><published>2011-02-02T10:44:00.002-02:00</published><updated>2011-02-11T08:27:47.859-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensamentos'/><title type='text'>A Terceira Dimensão Intelectual</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;ou "&lt;b&gt;&lt;span id="ctl00_ContentPlaceHolder1_lbl_titulo_filme" style="font-family: inherit;"&gt;Como Aprendi a Parar de Me Preocupar e Amar&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt; a Obra&lt;/span&gt;"&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&amp;nbsp;(Antes de mais nada, devo dizer que este post foi inspirado no trabalho de meu crítico cinematográfico favorito, &lt;a href="http://twitter.com/#%21/pablovillaca"&gt;Pablo Villaça&lt;/a&gt;, do portal &lt;a href="http://www.cinemaemcena.com.br/"&gt;Cinema em Cena&lt;/a&gt; - daí o grande número de referências ao cinema. Que seja uma humilde e indigna homenagem ao seu trabalho e talvez uma ferramenta para as pessoas entenderem que críticos - à exemplo dos comunistas - não comem criancinhas no café da manhã.)&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;O Apedrejamento&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/Elash16.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/Elash16.jpg" width="256" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;"Como um crítico não consegue rir disso?"&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Se eu ganhasse dez centavos para cada vez que eu ouvi que "tal crítico não sabe nada", eu poderia tomar banho de dinheiro no melhor estilo Tio Patinhas. Mas atire a primeira pedra quem nunca sentiu o sangue ferver ao ver uma crítica negativa de um filme, livro ou outra obra qualquer de seu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica (seja literária, cinematográfica, televisiva ou qualquer outra forma de arte) é uma atividade ignorada ou pouco apreciada pelo grosso da população. O que pode parecer natural - afinal, o sujeito comum que, sentado no sofá num domingo à tarde, rola de rir ao ver &lt;b&gt;Rob Schneider&lt;/b&gt; com trejeitos femininos em &lt;b&gt;Menina Veneno&lt;/b&gt;,&amp;nbsp; com certeza acha que o crítico que massacrou o filme não tem senso de humor. Ou a adolescente, indignada pelos comentários cáusticos sobre os filmes da franquia &lt;b&gt;Crepúsculo&lt;/b&gt;, não poupa palavras ásperas sobre um crítico em seu site, blog, Twitter e aonde mais puder encontrar o pobre infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que o grande público (e não só eles como uma parcela dos auto-intitulados "inteligentes") não compreende (e nem tenta compreender) é o real papel do crítico, e a noção completa do que é arte e como ela nos influencia. E vamos facilitar a sua e a minha vida com uma metáfora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O Teatro Circular&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/teatro_circular.png" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="263" src="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/teatro_circular.png" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;O Teatro Circular: somente um lado?&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Imagine um grande teatro circular, com um palco bem ao centro e cadeiras espalhadas em fileiras cada vez mais altas, de forma muito similar a um estádio de futebol. Bem no centro, sobre o palco, há uma grande escultura, alta e larga e bastante complexa. As pessoas devem então entrar no teatro, sentar-se em uma cadeira e apreciar a escultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, notam algo de anormal nessa cena?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil perceber que cada pessoa sentada em sua confortável cadeira vai ter uma visão direta da escultura, mas somente vai perceber uma pequena parte dela. Aliás, cada pessoa dentro do teatro vai ter uma visão diferente da escultura. Você verá exatamente o que está exatamente à sua frente, mas não vai ter noção de como é o resto da escultura. Claramente uma experiência incompleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer? O que é natural, se levantar e circular pelo teatro, para ver a escultura de outra posições e "entendê-la" totalmente. Bem simples e intuitivo, correto? Mas ao aplicar essa metáfora, vemos que não é dessa forma que as coisas acontecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda obra, desde um filme &lt;i&gt;blockbuster &lt;/i&gt;de Hollywood até um conto despretensioso em um blog obscuro não tem uma única forma de ser entendido (ou não deveria, mas chegaremos nesse ponto). Toda a história tem detalhes, nuances e subtextos que nem sempre são visíveis imediatamente - é preciso um esforço por parte do receptor para visualizar esses detalhes. Em um exemplo prático e simples, muitas pessoas se divertiram com a ação de &lt;b&gt;Homem de Ferro&lt;/b&gt;, mas um grupo menor de pessoas compreendeu a sutil crítica feita à política armamentista dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o levantar da cadeira para olhar de um outro ponto do teatro. Deixar de ver tão somente o que está a sua frente e tentar ver o que mais está dentro dessa obra."Mas por que eu não posso simplesmente aproveitar a minha vista ao invés de ter que ir atrás de outras?" pergunta o homem comum. Por um pequeno detalhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Maior do que a Soma das Partes&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/ratatouille_wallpaper_2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="256" src="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/ratatouille_wallpaper_2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;"Você vai comer isso?"&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Creio que todos vocês já assistiram a animação &lt;b&gt;Ratatouille&lt;/b&gt;, da Pixar (e se não o fizeram, ou perderam qualquer outra animação desse estúdio genial, vão lá e façam isso agora). Devem se lembrar que logo no começo do filme o rato Remy explica ao seu irmão Emile sobre como ele sente os sabores. Ele sente um sabor delicioso de uma comida e depois prova outra igualmente saborosa, mas diferente. Mas quando ele junta esses dois ingredientes, o sabor resultante é, de alguma forma, muito melhor do que a simples soma dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma obra artística também funciona dessa forma.Quando você entende mais de um aspecto da obra e percebe como eles se interligam, ela parece maior do que realmente é. Voltando ao exemplo anterior, você assiste o filme Homem de Ferro, você espera ver um filme de super-herói, com ação, um tanto de humor e mais alguns elementos comuns nesse tipo de produção. Mas quando você percebe a referência ao problema armamentista do mundo real e como ele faz sentido dentro da trama, aquela história, por mais irreal que poderia ser, fica mais verossímil. Mesmo sendo um simples "filme de super-herói". É quando a obra se torna maior do que realmente é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/266650778_8824c24229.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/266650778_8824c24229.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Terceira dimensão: um gosto de realidade.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Outra forma de entender o quão fascinante pode ser abrir sua mente para outras leituras de uma obra é a recente popularização da tecnologia 3D no cinema. Oras, não há como negar o quão fascinante é ver um personagem quase saltar da tela em uma cena. Mas o que é exatamente uma imagem em 3D? Nada mais do que a mesma imagem chapada, com pequenas diferenças no ângulo de visão de cada olho. Dessa forma, seu cérebro tem a impressão que aquilo é real, tem volume e está bem diante de você - mesmo sendo apenas duas imagens planas simples. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é exatamente esse conceito uma das pedras fundamentais da crítica. O papel do crítico é dar a volta no teatro e admirar a obra de todos os ângulos possíveis, perceber esse efeito. E esse "dar a volta" também implica em sair da sua própria realidade; muita gente faz piadas que críticos adoram "filmes dramáticos iranianos", mas tente uma única vez sair de sua zona de conforto, despir-se de preconceitos, e assistir um filme como &lt;b&gt;A Cor do Paraíso&lt;/b&gt;, por exemplo. A experiência pode te surpreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também temos o outro lado do espectro, que torna a crítica tão infame: o papelão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Figura de Locadora&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/03d79461.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/03d79461.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Um fantasma atrás da cortina? Não, só uma figura de papelão.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Vamos voltar rapidamente ao exemplo do Teatro Circular. Assumam que, embora o teatro seja circular, toda as entradas se localizem em um único ponto. As pessoas devem entrar e então assumir os lugares - que ainda para o efeito da metáfora, sempre serão muito superiores ao número de pessoas. Dessa forma, cada espectador tem total liberdade para escolher aonde se sentar. Aonde as pessoas irão dar preferência a se sentar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande maioria vai se sentar o mais próximo possível de onde entrou - afinal, fica mais fácil para sair depois, certo? Traduzindo, as pessoas vão procurar extrair da obra aquilo que está mais próximo delas. Por isso uma parcela muito grande das pessoas não presta atenção aos "níveis" da mesma - porque é mais cômodo se ater aquilo que você conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que temos o homem de negócios, que ganha dinheiro com uma obra. Ele tem que investir seu tempo e dinheiro em algo; ele irá escolher uma obra multi-facetada correndo riscos (sim, vale dizer que não é fácil fazer criar um material com profundidade, existem sim obras ruins com essa característica), ou ele vai seguir uma fórmula simples, bem testada e de retorno garantido? Não é difícil de escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse naipe temos comédias repetidas, filmes de ação vazios, séries de televisão com o mesmíssimo formato de outras, e por aí vai. Voltando ao nosso exemplo do teatro, é como se a obra fosse na verdade uma figura feita em papelão, igual a uma propaganda de locadora de filmes. A maior parte do pessoal vai se sentar de frente e admirar a imagem de frente, se divertir com a fórmula pronta. Mas qualquer um que se disponha a circular pelo teatro (e aí temos os críticos), vai perceber que aquilo é chapado, vazio, sem qualquer interesse maior que uma figura plana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o pomo da Discórdia; a visão de um crítico, por talento ou por hábito, procura sempre ver além do que a maior parte do público vê. Ele não vai se deixar levar por apenas uma simples figura no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então", pergunta o receptor comum "eu tenho me divertido de forma errada?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O Meu e o Seu&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUk-wGZNQOI/AAAAAAAACbw/ExBpVt9lrxo/s1600/eye.png" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="191" src="http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUk-wGZNQOI/AAAAAAAACbw/ExBpVt9lrxo/s320/eye.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;O olho é parecido, mas o ponto de vista é outro.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Vamos voltar mais uma vez na metáfora. Tendo a noção de que a obra tem vários ângulos e formas de ser vista, a única forma de entendê-la completamente seria admirá-la de todos os locais possíveis do teatro, correto? Sim, se isso fosse possível. A bem da verdade, quase ninguém teria a disciplina, paciência e empatia necessárias para "experimentar" todos os pontos de vista de uma obra. Mesmo os críticos fazem um esforço para entender o máximo possível, mas isso pode não ser sempre viável. Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque os pontos de vista dependem muito de experiências pessoais. Um bombeiro vai ter uma visão sobre um filme ou livro contando uma história de bombeiros muito diferente de uma pessoa comum. É isso que faz com que algumas pessoas gostem de uma obra ou não; elas avaliam sempre com base em sua própria experiência de vida - ou, se preferir, sempre da parte do teatro circular aonde se sentem mais à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso também explica o porquê de tantas obras "direcionadas" a um público, como Crepúsculo por exemplo. Uma pessoa jovem tem uma visão de mundo - guardadas as devidas proporções - restrita e conhecida, e em geral não teve a vivência mínima para olhar com um pouco mais de profundidade e "perceber outros níveis" de um filme, série ou livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí nasce a famosa "regra dos quinze anos" (para quem não conhece, se você viu um filme, leu um livro ou qualquer coisa antes dos seus quinze anos, não reveja depois de adulto, pois a chance de se decepcionar é imensa) - mesmo involuntáriamente, nós ganhamos a habilidade de olhar outros pontos de vista, mesmo minimamente. É algo natural, mas também pode ser adquirido. Basta um mínimo de mente aberta de boa vontade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Um Ponto de Equilíbrio&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/rock-balance.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="189" src="http://i469.photobucket.com/albums/rr54/thetrueportal/rock-balance.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Uma única ressalva que eu talvez faria a alguns críticos é que sempre vai haver o receptor que diz "eu estou confortável em minha cadeira, quero ficar por aqui". E isso, por mais que pareça alienígena do ponto de vista de um crítico, é uma escolha dele. Existem pessoas que simplesmente gostam da cara do Rob Schneider, acham graça em suas caretas e ponto. E se ele se sente feliz com isso, não há nada de errado. Sei que grande maioria dos profissionais entende isso (e tem a noção que essas pessoas simplesmente não vão lhe dar atenção), mas um ou outro caso acaba mostrando ressentimento e zombando de pessoas que optam por essa "filosofia" - e isso só serve para denegrir ainda mais a tão surrada imagem do crítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E minha última mensagem ao receptor é para demonstrar alguma empatia. Um crítico não é um inimigo mortal da diversão, é tão somente alguém cujo trabalho é lhe mostrar um ponto de vista - na verdade, vários deles. Acreditem, uma crítica ruim não vai prejudicar um trabalho artístico que lhe agrada (para o bem ou para o mal, a única coisa que vai atrapalhar qualquer obra, desde sempre, é a falta de dinheiro). E ao invés de levantar uma pedra (ou, nos tempos modernos, comentar um blog ou responder um comentário no Twitter), pare um pouco e preste atenção no que foi dito. Tente minimamente dar uma segunda olhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode encontrar um mundo totalmente novo bem diante de seus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7083356798620582408-7043087754237878546?l=escritormeiapataca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/7043087754237878546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/02/terceira-dimensao-intelectual.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/7043087754237878546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/7043087754237878546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/02/terceira-dimensao-intelectual.html' title='A Terceira Dimensão Intelectual'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/TUk-wGZNQOI/AAAAAAAACbw/ExBpVt9lrxo/s72-c/eye.png' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408.post-4673493545614908129</id><published>2011-01-26T15:08:00.001-02:00</published><updated>2011-02-02T13:42:07.845-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marvel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HQ&apos;s'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='heróis'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos inacabados'/><title type='text'>Conto: Reflexões - Parte 001</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esta é uma história que eu gostaria de desenvolver de forma mais séria, mas  como se passa no Universo Marvel - que tem direitos reservados - então  vaí como fanfic mesmo. O nome era algo que eu estava deixando para  decidir depois, mas fica como nome de trabalho por enquanto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Novamente, algum conteúdo adulto - só um ou outro palavrão, nada grave por enquanto, mas estejam avisados!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado  pensar que num mundo maluco como esse, a nossa turma sempre foi das  mais comuns. Claro todo mundo tem seu dia de cão - como quando o Carlão  foi pego pela esposa saindo do motel com a Marcinha da Contabilidade -  ela fez o coitado sair correndo pelado pelo bairro. Mas foi engraçado.  Ou naquela maluquice com os skrulls, quando um deles tomou o lugar do  Batoré achando que ele fosse um herói e o Rei descobriu quando o bicho  pediu água no bar. Aquilo foi tenso, mas um dos fulanos da S.H.I.E.L.D.  que levou a coisa embora não conseguia parar de rir quando contamos. Mas  afora essas e outras, a nossa vida é bem tranquila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A galera  toda se conheceu no escritório da Wallan &amp;amp; Comodoro. O Laurindo e o  Batoré acabaram saindo, mas a turma nunca perdeu o contato. Mesmo que um  ou outro estivesse enrolado algum dia, sempre tinha pelo menos uma  parte da galera na Quinta Distinta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Santa Distinta é um  barzinho na rua das Figueiras em Santo André, no ABC Paulista. Duas  quadras do escritório, tava fácil da galera se reunir para um bate-papo  depois do trabalho. E como na época o melhor dia pra todo mundo era de  quinta-feira, surgiu a Quinta Distinta, quase um ponto sagrado na agenda  de todo o pessoal. Nem esposas, mães ou namoradas podiam tocar nossas  quintas. Até a chefia evitava ao máximo pedir hora extra nesses dias.  Era o dia da galera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro que tudo começou com o Carlão.  Tudo sempre começava com o Carlão. Quem conhecia o cara não dizia que  ele trabalhava com Informática. Tagarela feito uma dondoca, um poço de  bom-humor e alegria. Não me lembro nunca de ter visto ele pra baixo -  digo REALMENTE pra baixo. Lembro dele ficar meio caladão quando a mãe  dele faleceu, mas mesmo nesses dias ele não resistia a fazer uma graça  ou contar alguma piada. Mulherengo como eu nunca vi, a esposa já devia  ter feito a malinha dele há muito, de tanto que ele aprontou. Mas acho  que nem ela consegue escurraçar alguém como o Carlão. É muito mais fácil  desafiar a gravidade - e Deus sabe que nesse nosso mundo maluco gente  demais faz isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois do Carlão sempre vinha o Batoré. Era  quase uma dupla. A galera tentou chamar os dois de Capitão e Bucky, mas  não pegava - qualquer mané sabe como é difícil zoar um zoeiro. Mas o  baixinho do Batoré - cuja semelhança com o personagem da Praça não era  tanta, mas bastou pra manter o apelido - não desgrudava do Carlão. Mesmo  indo pro setor de pagamentos de uma mega-corporação na capital, eles  ainda eram unha e carne. Deus sabe como ele conseguia passar pelo  trânsito infernal de Sampa pra chegar no bar às quintas, mas ele sempre  estava lá. Beberrão profissional, já fizemos mais de um estagiário  malandrão chamar o Hugo tentando acompanhar o ritmo do Batoré. E mesmo  virando todas, o filho da puta nunca dava vexame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era exato  oposto - ou como gostávamos de dizer o "gêmeo maligno" - do Leandro; um  caxias de marca maior que trabalhava com o Batoré no Contas à Pagar e  sabe lá como acabou virando "fixo" na nossa galera. Cara certinho, fiel  de tudo à noiva e regulado nos horários como se fosse um relógio suíço.  Sempre restringia seu consumo no Distinta a exatamente dois copos, em  geral das bebidas mais afrescalhadas que o lugar servia. Por essas e  outras ganhou a alcunha de Frescalhão. Mas fora essa moralzinha de  freira, sempre foi um cara bacana, bem-humorado e entrava na brincadeira  sem fricotes. Pensando bem, foi por isso que ele se deu tão bem com a  gente - era uma escada de piadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vinha o Reinaldo, o  nosso Rei: ao contrário do Batoré, a semelhança física dele com o  Roberto Carlos sim era assustadora. O Batoré quis zoar ele uma vez  dizendo que ele tinha uma perna de pau e o Rei garantiu pra ele que não,  embora faltasse mesmo uma perna. Foi a única invertida que eu já vi o  Batoré tomar na vida e ficar sem resposta. Só por essa o Rei já merecia  fazer parte da turma. E na maior parte do tempo ele realmente não  parecia parte de qualquer turma: calado de tudo, reservado de uma tal  forma que poucos no trabalho - mesmo seus colegas da Contabilidade -  sequer tinham noção de onde ele morava. Mas era um bom sujeito, bom  ouvinte, e com o tempo descobrimos que ele tinha um senso de humor muito  oportuno e afiado. Ele poucas vezes abria a boca, mas quando o fazia  era para fazer algum comentário ácido e certeiro - como esse para o  Batoré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Laurindo também era meio calado, mas não tanto quanto o  Rei. Mineiro de nascença mas paulista de adoção, era a melhor  representação da expressão "come-quieto" que eu já vi. Não que ele fosse  tão reservado, mas se você se distraísse, ele aprontava - seja faturar  uma morena no bar, seja fechar os livros fiscais da empresa adiantados,  ou mesmo tomar um gole da sua bebida sem você se tocar. Um sarro em  forma de gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tinha eu também. É engraçado como a gente  sempre se considera "normal" e sempre nota as "anormalidades" dos  outros, mas de todo mundo eu sempre me achei mais equilibrado. Claro que  tenho minhas manias, minha magreza excessiva e altura privilegiada (já  cansei de ouvir piadinhas como Professor Línguiça ou Golias Raquítico),  mas afora esses detalhes eu sempre me achei mais cuca-fria. E meu gosto  por escrever, que rendeu o apelido "oficial" de Veríssimo entre a  galera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa era a turma. Claro, sempre tinha mais gente da  empresa na nossa mesa da Distinta, mas essa era a nossa galera, os bons  amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também foi todo mundo que se fudeu quando a merda toda aconteceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7083356798620582408-4673493545614908129?l=escritormeiapataca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/4673493545614908129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/01/conto-reflexoes-parte-001.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/4673493545614908129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/4673493545614908129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/01/conto-reflexoes-parte-001.html' title='Conto: Reflexões - Parte 001'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7083356798620582408.post-1918379590097533873</id><published>2011-01-18T13:16:00.001-02:00</published><updated>2011-02-02T13:41:50.605-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='espionagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='thriller'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos inacabados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='adulto'/><title type='text'>Conto Sem Nome - Possível Thriller de Espionagem</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande','Trebuchet MS',Verdana,Helvetica,Arial,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande','Trebuchet MS',Verdana,Helvetica,Arial,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Algo que eu tinha imaginado como o começo erótico de uma história que deveria se tornar um suspense policial, mas não foi adiante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repetindo, algum conteúdo erótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr style="font-style: normal;" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Fábio suava e bufava compulsivamente. Não gemia em voz alta, pois temia as consequências de ser ouvido, mas a tentação era grande. O movimento constante e sincronizado era como um pistão lubrificado, de dar orgulho a qualquer mecânico. Mais tarde ele riria brevemente da comparação. Ela, por sua vez, se contorcia em silêncio, como que tentando escapar mas ao mesmo tempo procurando uma posição mais confortável. A respiração baixa e rápida, o corpo dela dançando como uma cobra sinuosa entre os lençóis. Ele também se lembraria dessa comparação posteriormente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ele forçava cada vez mais e mais rápido, sentindo que o momento se aproximava. O pensamento deve-lhe ter escapado, pois ela abriu-se ainda mais do que parecia possível e acelerou seu próprio vai e vem. Fábio sentiu o arrepio subir-lhe a espinha num raio e descer duas vezes mais rápido ao ponto de contato. Bufando como nunca, ele ergueu o tronco, como uma naja a aplicar o bote e estocou-a com toda a força, agora esquecido dos barulhos ou da senhoria no andar de baixo enquanto a cama se batia contra a parede. Num instante, ele se sentiu no topo de tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;E então acabou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Alguns segundos arfantes se passaram antes que ela o empurrasse delicadamente, pedindo passagem. Ele saiu dela, rolando exausto para o lado enquanto ela caminhava para o banheiro, os quadris nus rebolando suavemente, os longos e lisos cabelos negros balançando às costas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Fábio recuperava o fôlego e sorria em silêncio. Nunca fora um homem de grandes conquistas, embora não fosse exatamente a primeira vez que levava uma mulher que acabara de conhecer numa danceteria para a cama. Dessa vez, porém, sentia um orgulho tal qual um caçador após abater um perigoso e astuto predador. Imaginou rindo-se por um instante se deveria decapitar a moça e pendurar-lhe a cabeça empalhada na parede. Achou que os amigos talvez acreditassem se fizesse isso com a bunda dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Ouviu a descarga e em seguida a torneira. Imaginou se aguentaria uma segunda rodada daquilo, e mesmo cansado, desejou isso. Aguardou silenciosos minutos enquanto esperava que ela voltasse ao quarto. Descobriu perdida entre lençóis a calcinha de sua presa, pequena, mal parecendo que poderia conter as ancas que ainda há pouco cavalgara. Tinha um tom alaranjado berrante e pequenas rendas em torno das bordas. Admirou a peça como um joalheiro avaliando uma pedra única, e pensou que aquilo tinha algo de verdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;A beldade se demorava demais no banheiro e ele pensou em chamá-la, mas manteve-se calado ao se dar conta que esquecera seu nome.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Que grande mico! Havia tomado algumas cervejas no bar, não o suficiente para dar vexame ou esquecer a noite toda, mas o suficiente para se atrapalhar. E em retrospecto, ele nem se lembrava de ter perguntado o nome dela. Bom, pensou, existe mais de um jeito de se chegar à Roma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;- Tudo bem por aí? Recuperou o fôlego? - achou que o comentário engraçadinho daria conta de retomar o papo, mas sentiu-se constrangido quando ela não respondeu. Só o barulho da água da torneira continuava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;-Ei, desculpe - repetiu Fábio enquanto se levantava e caminhava para o banheiro - só queria quebrar esse silêncio. Você está bem? - disse ele entrando no pequeno lavabo. O queixo baixou lenta e instintivamente. O banheiro estava vazio. O único movimento vinha da água corrente na pia e as cortinas que balançavam suavemente com o vento vindo do vitrô aberto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Aonde ela tinha ido? Tinha certeza que ela não passou pela porta do banheiro. Olhou pelo vitrô aberto, pensando se ela poderia ter pulado a janela. Mas eles estavam no segundo andar, eram uns sete ou oito metros até a calçada. Rodou o pequeno apartamento, imaginando se a bebida o deixara distraído. Mas a porta de entrada continuava trancada por dentro, a chave pendurada na parede ao lado. Não a encontrou em lugar nenhum, somente suas roupas jogadas pelo quarto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande','Trebuchet MS',Verdana,Helvetica,Arial,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande','Trebuchet MS',Verdana,Helvetica,Arial,sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7083356798620582408-1918379590097533873?l=escritormeiapataca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/feeds/1918379590097533873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/01/conto-sem-nome-possivel-thriller-de_18.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/1918379590097533873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7083356798620582408/posts/default/1918379590097533873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritormeiapataca.blogspot.com/2011/01/conto-sem-nome-possivel-thriller-de_18.html' title='Conto Sem Nome - Possível Thriller de Espionagem'/><author><name>Tiago "The Portal" Soares</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09488248557358542794</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://3.bp.blogspot.com/_wJIFyYfWc-8/SUQEy3MxrtI/AAAAAAAAB-U/e4rkl4n1Egc/S220/logo_theportal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
